Falta de saneamento básico dificulta controle da pandemia

Em lugares sem sistema de coleta de esgoto, população é mais suscetível a doenças e disseminação da covid-19 pode ser maior

jorusp

Embora não haja evidência científica de que o novo coronavírus possa ser transmitido pela água, a análise do esgoto de cidades pode fornecer informações estratégicas para o combate à covid-19. Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro (Niterói), estão fazendo estudos para verificar a presença de material genético em amostras do sistema de saneamento básico da cidade. O objetivo é acompanhar o comportamento da disseminação do vírus ao longo da pandemia, e logo na primeira semana foi possível identificar o vírus em amostras em cinco dos 12 pontos de coleta.

O boletim O Ambiente é nosso meio de hoje trata desse assunto. Pedro Luiz Côrtes, professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP, conta, em entrevista ao Jornal da USP no Ar, que esse monitoramento pode favorecer o mapeamento de áreas com maior disseminação da covid-19, permitindo com que políticas públicas sejam aprovadas para o controle do número de casos.

Além do Rio de Janeiro, Belo Horizonte conta com uma iniciativa semelhante, baseada na análise genética das amostras. Em São Paulo, Côrtes acredita que a implementação dessa pesquisa seria proveitosa, uma vez que “a disseminação não é homogênea na cidade e, além disso, temos muitas comunidades que não dispõem de uma rede de esgoto, então muitas vezes são usadas aquelas fossas cuja água acaba vazando para a rua e expondo a comunidade a condições precárias de saúde. Com isso, a população fica fragilizada e, obviamente, uma pessoa com a saúde já prejudicada se torna uma vítima ainda mais fácil do coronavírus nessa situação”.  

O professor também ressalta que a maior concentração de casos na cidade de São Paulo se encontra nas regiões leste, sul e norte, onde ficam localizadas favelas e cortiços, com situações recorrentes de redução de pressão da água, falta de sistemas de coleta e afastamento do esgoto, o que dificulta a higienização. “Nesses lugares, um isolamento vertical não consegue ser efetivo. Uma maior liberalização da movimentação e quebra da quarentena vai expor essas pessoas a uma maior probabilidade de contaminação e, por sua vez, a um maior número de mortes,  aumentando a disseminação da doença na cidade como um todo.”

Saiba mais ouvindo a entrevista na íntegra.


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