Falta de saneamento básico compromete recursos hídricos disponíveis

Enquanto 83,5% da população recebe água tratada, apenas metade conta com serviço de esgoto

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Hoje, celebramos o Dia Mundial da Água. Criada em 1993 pela Assembleia Geral da ONU, a data tem como objetivo aumentar a consciência sobre a importância da conservação, preservação e proteção dos recursos hídricos. O professor Pedro Luiz Côrtes, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP e do Projeto Temático Fapesp – Governança Ambiental da Macrometrópole Paulista, traz um panorama sobre a situação do saneamento básico no Brasil e alerta que “no Dia Mundial da Água não temos muito o que comemorar, mas sim, refletir”.

O poder público tem, no máximo, priorizado o fornecimento de água tratada, dificilmente há políticas e projetos que visem ao saneamento básico, aponta Côrtes. “Como são obras não aparentes, como um viaduto ou ponte, muitas vezes isso [saneamento básico] é renegado ao último plano”. Essa tendência, adotada pela maioria dos governantes, reverbera em dados alarmantes: 38,6% dos brasileiros não contam com o serviço de coleta e tratamento de esgoto em suas residências, 18,8% contam com o serviço de coleta, mas sem tratamento e, no fim, sobram apenas 42,6% dos habitantes com coleta e tratamento de esgoto. Ou seja, “menos da metade da população do Brasil tem o esgoto coletado e tratado”, explica o professor.

Além disso, um serviço básico e fundamental, como o abastecimento de água tratada, não contempla a totalidade dos brasileiros. Apenas 83,5% das residências são atendidas com o abastecimento de água tratada. Quando o recorte é feito por região, surgem dados ainda mais preocupantes: na região Norte, por exemplo, o abastecimento de água tratada chega para 57% da população, esse índice sobe para 73% na região Nordeste. Já nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste há uma variação entre 89% e 91%. “Então, em resumo, enquanto 83,5% da população recebe água tratada, na média nacional, apenas metade dela conta com o esgoto tratado”, destaca Côrtes.

A falta de investimento em saneamento básico compromete os recursos hídricos disponíveis, polui os cursos d’água e gera problemas relacionados à saúde pública, como o aumento de endemias. A precariedade no sistema de distribuição de água é outra problemática: a região Norte perde 55% da água durante o processo de distribuição. Isto é, mais da metade da água coletada e tratada se perde por conta de vazamentos na rede de distribuição. No Nordeste, temos 46% e nas demais regiões, 35%.

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