Falta de regulação no processo de aquisição empresarial pode prejudicar competitividade do mercado

Roy Martelanc diz que o processo de aquisição de empresas é uma prática que possui benefícios para o mercado, contudo, precisa ser regulado para evitar a criação de monopólios e causar danos ao consumidor

 Publicado: 23/11/2021
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A aquisição da empresa pode significar vantagens para os novos donos, uma vez que eles possivelmente possuem mais recursos para ajudar nas etapas de desenvolvimento dos produtos – Foto: Freepik

 

O processo de aquisição de empresas é um fenômeno comum no mercado financeiro. Trata-se da compra e venda de organizações privadas, seja total ou parcialmente. Apesar de ser um processo regular no mercado, existem alguns fatores que podem influenciar no processo e impactar indiretamente a vida dos consumidores ou usuários de um serviço. No começo de novembro, por exemplo, ocorreu o chamado “apagão das redes sociais”, quando todas as redes sociais que pertencem ao Facebook pararam de funcionar, causando uma série de problemas a pessoas que usam as plataformas para trabalhar.

O Facebook adquiriu a rede social Instagram em 2012 e o aplicativo de mensagem WhatsApp, em 2014, virando um dos maiores conglomerados de comunicação on-line do mundo. Desde a compra, a empresa vem ganhando cada vez mais valor no mercado financeiro, sendo avaliada em torno de US$ 1 trilhão atualmente. Roy Martelanc, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, conta que existe uma série de motivos práticos que levam pessoas a venderem suas empresas. O valor potencial que a empresa pode ter sob o controle de um novo proprietário é um desses fatores.

Roy Martelanc – Foto: Reprodução/LinkedIn

“O indivíduo pode estar com dificuldades que geralmente, no final, redundam em financeiras”, diz o professor ao explicar os problemas financeiros e comerciais que também influem no processo de venda de uma empresa. Apesar de se tratar de uma situação extrema, a aquisição empresarial por problemas financeiros é uma das mais comuns nesse meio. Entre os fatores de origem comercial, a falta de competitividade dos produtos fabricados impacta o valor da empresa, impedindo que ela ganhe espaço no mercado.

Comparativamente, a aquisição da empresa pode significar vantagens para os novos donos, uma vez que eles possivelmente possuem mais recursos para ajudar nas etapas de desenvolvimento dos produtos. “A empresa que compra pode conseguir vender muito mais e com uma distribuição muito melhor.”

Comercialmente, essa forma de aquisição traz vantagens para os novos donos, pois o custo relacionado à construção da infraestrutura necessária para a fabricação de produtos é reduzido com investimentos de modernização das estruturas existentes ou de atualização da marca e produtos. 

Competitividade

Devido à normalidade do processo e o poder que certas empresas possuem no mercado, a regulação para a manutenção da competitividade torna-se necessária para o funcionamento daquele. Martelanc explica que esse questionamento não é algo novo: “É um tema bem antigo, um tema discutido há um século. Quando os caras perceberam, nos Estados Unidos, por exemplo, que existia um monopólio dos trens, que comandava tudo e fazia o que queria e ficava com a parte grande do lucro, o governo não teve dúvida, desmontou os monopólios”.

“A modelagem mais simples é de preços, agora, tem coisas bem melhores, por exemplo, se a empresa não tem competidor, para que ela vai melhorar o seu produto?”, indaga o professor, ao explicar que, além do controle de preços, a falta de competitividade cria um cenário de estagnação tecnológica. “As empresas que não têm competidores costumam ser bem paradas em termos de evolução”, afirma.

“Se eu tiver dez competidores no mercado, um deles vai sair na frente na elevação de produto ou de processo, vai começar ganhar dinheiro sozinho e os outros são obrigados a acompanhar, e,  se todo mundo acompanha, o custo de todo mundo cai. Se você tem um competidor só, você tem pouca evolução, pouca criação de novas soluções.”


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