Falta de investimentos deixa Brasil na retaguarda em automação

Segundo especialista, baixo investimento em robôs de inteligência artificial causa defasagem na produtividade

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A cada ano, a média global de robôs tem crescido junto aos avanços da tecnologia. De acordo com a Federação Internacional de Robótica (IFR), o Brasil conta com dez robôs a cada 10 mil trabalhadores e ocupa a 39ª posição, proporção pequena em comparação com países como a Coreia do Sul, que ocupa a dianteira da lista com 631 robôs a cada 10 mil habitantes. A falta de investimento em automação é comentada em entrevista por Mário Sergio Salerno, professor do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica (Poli) da USP e coordenador do Observatório da Inovação e Competitividade do Instituto de Estudos Avançados (IEA).

Para além dos rankings, que não apresentam com exatidão os dados de automação, outros parâmetros de acompanhamento do desenvolvimento tecnológico podem ser utilizados. No caso do IEA, foi escolhida uma comparação de políticas públicas entre o Brasil, Estados Unidos, Alemanha e China para a indústria 4.0. O estudo mostrou que esses países possuem um investimento maior na digitalização, diferente do Brasil.

Os robôs conectados à bases de dados são uma realidade diferente dos robôs que cumprem funções mais simples, e por esse motivo a contabilização do número de robôs pode não dizer muito sobre o avanço tecnológico do país. No caso do Brasil, a deficiência maior é em relação aos robôs que possuem essa forma de integração por conta da falta de investimento em automação, o que causa uma defasagem de produtividade.

Em relação à substituição do trabalho humano, Salerno comenta que essa possibilidade é grande quando se trata de inteligência artificial. O diagnóstico por imagem, por exemplo, é uma função que pode ser desempenhada através da análise de bases de dados com uma grande eficácia. Contudo, esse processo de substituição deve ser lento.

Na Universidade, pesquisas aplicadas no sentido de desenvolvimento da inteligência artificial são realizadas. O Inova USP está lançando um laboratório de pesquisa na área que deve contribuir para o desenvolvimento dessa tecnologia no País.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93,7, em Ribeirão Preto FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

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