Falta de investimento e pesquisa na exploração do fundo do mar impede o aproveitamento dos recursos

Para o professor Felipe Toledo, a vigilância genômica, apesar do alto custo de investimento e do alto grau de especialização, valeria a pena com o retorno financeiro dos recursos retirados do fundo do mar

 30/07/2021 - Publicado há 2 meses
O Brasil possui as tecnologias para realizar a exploração de alta profundidade, no entanto, necessita de um mapeamento dos fundos da margem oceânica que não se limite somente aos recursos tradicionais – comenta o professor Felipe Toledo – Oceano – Foto: Pexels – Pixabay

Os oceanos são uma grande fonte de riquezas quando se trata de recursos renováveis e não renováveis que ainda não foram explorados em sua totalidade. Por conta da falta de pesquisa e investimento, muitos recursos  acabam sendo deixados de lado durante o processo de exploração dos oceanos e não têm todo o seu potencial aproveitado. Essa falta de incentivo à exploração de recursos diversificados acaba limitando a extração a bens, como o petróleo e o gás, extraídos em grande abundância. 

“O custo seria muito baixo, tanto para o governo como para as empresas, ao investir em pesquisa”, contou ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição o professor Felipe Toledo, do Departamento de Oceanografia Física, Química e Geológica do Instituto Oceanográfico (IO) da USP e coordenador do Laboratório de Paleoceanografia do Atlântico Sul (LaPAS). De acordo com o especialista, a exploração submarina, por necessitar de uma série de recursos extremamente especializados para o meio marinho, acaba tendo um alto custo para o investidor, apesar de haver um aproveitamento muito grande com retorno financeiro garantido em torno do que é extraído.   

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Recursos não renováveis do mar

Para exemplificar como a exploração desses recursos pode compensar e tornar-se muito útil à sociedade, o professor cita a extração do petróleo. Apesar de haver cada vez mais procura e pesquisas por uma fonte renovável, como a eólica, a solar ou até mesmo fontes movidas pela força motriz das marés, para substituição da matriz fóssil, grande fonte de poluição, o petróleo continua sendo um recurso cuja exploração compensa bastante, mesmo com seus riscos de extração e impactos gerados pelo seu uso. De acordo com Toledo, mesmo se fosse possível substituí-lo enquanto matriz energética, o petróleo ainda possui uma cadeia de derivados muito explorados e utilizados em vários continentes atualmente, sendo o plástico um exemplo deles.

O exemplo demonstra como um recurso que possui investimento e pesquisa pode ter retorno para quem o explora. Segundo o professor, o Brasil possui as tecnologias para realizar a exploração de alta profundidade, no entanto, necessita de um mapeamento dos fundos da margem oceânica que não se limite somente aos recursos tradicionais. Ele destaca que esse tipo de medida não se conclui em um curto espaço de tempo. Um mapeamento de qualidade e com valor para esse tipo de exploração levaria no mínimo dez anos, porém, traria um grande retorno em riquezas, tanto naturais quanto financeiras.


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