Falta de coleta de esgoto ainda é um problema grave no Brasil

As regiões Norte e Nordeste são as mais afetadas, e não há políticas públicas efetivas que tratem do assunto

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O IBGE divulgou dados que mostram que 72,4 milhões de brasileiros residiam em locais  sem acesso à coleta de esgoto no ano passado. De acordo com um estudo da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), as regiões Norte e Nordeste são as mais prejudicadas com a falta de saneamento básico.

O professor Pedro Luiz Côrtes, do programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente da USP, conversou com a Rádio USP sobre essas novas informações. Ele revela que de 2017 para 2018, o acesso dos brasileiros à rede geral de esgoto cresceu apenas 3%, o que demonstra a falta de políticas públicas eficientes em relação ao saneamento básico.

O especialista afirma que há uma preocupação limitada do governo, que se restringe apenas ao fornecimento de água, enquanto que a coleta e tratamento de resíduos como o esgoto ficam em segundo plano. “O único plano que o governo atual apresenta é na verdade herdado do governo passado. Ele consiste num projeto de lei, em trâmite no Congresso, que prevê maior liberdade na contratação de empresas de saneamento, de tal forma que as prefeituras possam contratar instituições privadas. Efetivamente, esse governo, assim como os outros anteriores, não apresenta um plano efetivo para a área de saneamento”, afirma.

As consequências da falta de saneamento básico impactam a saúde não só por facilitar a transmissão de doenças com vetores, como o Aedes aegypti, mas também por gerar custos para o Sistema Único de Saúde (SUS). Os custos foram  de R$ 100 milhões para o SUS em 2017, com 263,4 mil internações motivadas pela carência de tratamento de esgoto.

Embora o Brasil seja uma das maiores economias do mundo em PIB, por exemplo, a distribuição de recursos básicos e de qualidade ainda não é uma realidade para todos os habitantes. “Mesmo quando a pessoa está pagando pelo serviço, ela pode não recebê-lo adequadamente. Por vezes é feita a coleta mas não é feito o tratamento, e o esgoto é lançado livremente na natureza, poluindo o pouco que resta dos recursos hídricos usados para captação e abastecimento urbano”, explica Côrtes, reafirmando a importância do assunto.

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