Exposição resgata a vida de Vladimir Herzog e a sua morte sob tortura

A mostra no Itaú Cultural, com a curadoria do cineasta Luis Ludmer, reúne fotos, documentos, filmes e cartas

A exposição Ocupação Vladimir Herzog, no Itaú Cultural, que será inaugurada no próximo dia 14, é destaque na coluna de Giselle Beiguelman em Ouvir Imagens (clique o player acima). Com a curadoria do cineasta Luis Ludmer, aluno de pós graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, reúne fotos do acervo da família, correspondências, artigos e estudos para filmes documentais que o jornalista não teve tempo de realizar.

“É muito importante revisitar a história de Vladimir Herzog, jornalista e professor da Escola de Comunicações e Artes da USP”, comenta Beiguelman. “Instiga a reflexão sobre a violência de um regime ditatorial e o obscurantismo a que um regime de cerceamento da liberdade pode nos levar. Rediscutir e repensar esse momento é fundamental, especialmente quando um perverso revisionismo histórico pretende legitimar a tortura ou relativizar a sua ocorrência.”

Beiguelman observa que a mostra traz uma das mais famosas obras da série Inserções em circuitos ideológicos do artista Cildo Meireles, que estampou, à época do assassinato de Herzog, notas de um cruzeiro com a frase: “Quem matou Herzog?”.

“Há também fotos da cerimônia ecumênica realizada antes do enterro na catedral da Sé, com D. Paulo Evaristo Arns, então corajosíssímo arcebispo, e o rabino Henry Sobel, récem-chegado ao Brasil, que não permitiu que Herzog fosse enterrado no setor dos suicidas no cemitério judaico.”

Em conversa com a artista e professora da FAU-USP, o curador Luis Ludmer  afirmou: “Num momento em que  assistimos à ascensão de governos conservadores eleitos democraticamente, defendendo valores antidemocráticos, e a escalada da intolerância nas sociedades, polarizadas e impregnadas de preconceitos raciais,  disseminar e lembrar, por meio de sua produção intelectual, os valores praticados por Vladimir Herzog em vida é uma estratégia para evitar que as  “duas guerras” que se abateram sobre Vlado  –  a do antissemitismo nazista e a sua morte pela censura à liberdade de expressão  –  não voltem a vigorar  jamais.”

Beiguelman faz questão de lembrar e concordar com a frase de Vladimir Herzog: “Quando perdemos a capacidade de nos indignar com as atrocidades praticadas contra outros, perdemos também o direito de nos considerar seres humanos civilizados.”

Mais informações sobre a exposição  Ocupação Vladimir Herzog acesse em: www.desvirtual.com


Ouvir Imagens 
A coluna Ouvir Imagens, com a professora Gisele Beiguelman, vai ao ar toda segunda-feira às 8h00, na Rádio  USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e  TV USP.

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