Exposição mostra as transformações do cotidiano do trabalho

Os filmes e videoinstalações do cineasta alemão Harun Farocki estarão, a partir do dia 17, no Instituto Moreira Salles

Harun Farocki: quem é responsável?  é a exposição que apresenta, através dos filmes e videoinstalações do cineasta alemão, as transformações do trabalho no mundo contemporâneo. Em Ouvir Imagens, na Rádio Usp, a artista e professora Giselle Beiguelman comenta sobre a importância da mostra (clique no player acima).

A exposição entra em cartaz, a partir do dia 17, no Instituto Moreira Salles. A curadoria é da cineasta alemã Antje Ehmann e Heloisa Espada, coordenadora de Artes Visuais do IMS. A mostra reúne sete obras de Farocki, que começou a sua trajetória no fim dos anos 1960 no cinema ativista e passou a se dedicar às videoinstalações na década de 1990. “Farocki apresenta o mundo do trabalho a partir de situações que vão do século 16 ao cenário contemporâneo”, observa a professora. “Nos filmes e videoinstalações, ele discute as diferentes estratégias de exploração e alienação do trabalhador e faz pensar sobre como os meios de produção e as tecnologias definem relações pessoais e a organização social como um todo.”

Ela chama a atenção do público para a videoinstalação A saída dos operários da fábrica em 11 décadas, de 2006. “Composta de 12 televisores, essa obra reúne cenas de inúmeros filmes, produzidos de 1890 até os anos 2000. O ponto de partida é um dos primeiros registros do cinema: um filme dos irmãos Lumière, de 1895, que mostra um grupo de funcionários saindo apressado de uma fábrica de produtos fotográficos, de propriedade dos irmãos Lumière.” A colunista comenta que nessa obra há imagens de Fritz Lang, Charles Chaplin e Lars Von Trier “Esse conjunto de cenas nos leva a compreender a representação dos operários ao longo da história do cinema e também o papel político das imagens.”

Trabalhadores deixando seu local de trabalho (2011-2014) é, segundo a professora, uma das obras que revelam esse papel político. “As imagens são contemporâneas e mostram uma diversidade de espaços. O universo da fábrica já não é mais a metáfora do mundo do trabalho. Com imagens de escritórios, das ruas das grandes cidades, a obra reflete as transformações de um sistema econômico, o capitalismo, que, ao invés de produzir riqueza e liberdade, impôs um regime em que podemos trabalhar o tempo todo, a qualquer hora e em qualquer lugar.”

Mais informações sobre a exposição Harun Farocki: quem é responsável?, acesse:v www.desvirtual.com


Ouvir Imagens 
A coluna Ouvir Imagens, com a professora Gisele Beiguelman, vai ao ar toda segunda-feira às 8h00, na Rádio  USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e  TV USP.

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