Explosão no uso das redes sociais abre possibilidades para setor cultural

Zilda Gaspar comenta a intensificação, durante a pandemia, do uso das redes sociais e do impulso que deu para a venda de livros e a ampliação do acesso à cultura

 Publicado: 06/10/2021
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As mídias sociais foram ganhando importância como suporte de divulgação de eventos culturais, possibilitando o alcance de novos públicos – Foto: Gerd Altmann por Pixabay

Com mais de 1 bilhão de usuários, o TikTok tornou-se o aplicativo mais baixado do mundo, superando o Facebook, segundo o jornal Nikkei Asia. A rede social de vídeos curtos ganhou destaque durante o período do isolamento social causado pela pandemia. Composto majoritariamente de jovens, o público do TikTok encontra nele diversos tipos de conteúdo, indo dos mais despretensiosos aos mais culturais e informativos. Produtores de conteúdo, assim, encontraram uma nova forma de se comunicar.

A escritora norte-americana E. Lockhart foi surpreendida quando Mentirosos, um livro seu de 2014, aumentou o número de suas vendas após aparecer no TikTok. Jovens e adolescentes passaram a comentar suas impressões sobre os livros na rede, impulsionando o contato do público com as obras. 

Com o público do TikTok sendo composto de jovens, a professora Zilda Gaspar Oliveira de Aquino, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, indica que, mais do que ter conteúdo cultural, essas redes precisam desenvolver o senso crítico de seus usuários. A seleção de conteúdo nas redes deve “partir de conhecimentos que permitam aos usuários um crescimento na vida diária, nas relações humanas e na observação de valores importantes para o convívio em sociedade”, afirma Zilda.

Segundo a professora, a rapidez com que essas redes sociais mudam de formato permite a ascensão e viralização de uma nova rede em questão de meses e impede que sejam feitas previsões muito concretas; ainda assim, ela reflete: “Quantas outras áreas poderiam se beneficiar e propiciar difusão de seus conteúdos? Eu diria todas”.

Nesse sentido, Michel Sitnik, analista de Comunicação da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da USP, encontrou, durante a pandemia, uma ótima oportunidade nas redes sociais. “As mídias sociais foram ganhando importância como suporte de divulgação”, afirma, lembrando que a divulgação de eventos culturais nessas plataformas possibilitou, em um primeiro momento, o alcance de novos públicos. “Quando a gente vai para as mídias sociais, ganhamos um pouco mais de possibilidade de chegar em pessoas que não necessariamente estavam procurando aquilo”, relata.

Com essa “universalização” do conteúdo, as próprias produções culturais passaram a se acomodar mais nas redes. Durante a fase mais aguda do isolamento social, peças teatrais, por exemplo, migraram para o ambiente digital. A disponibilização de gravações também permitiu o aumento na acessibilidade: ter contato com um conteúdo cultural sem precisar se deslocar ou marcar um compromisso na agenda.

A explosão no uso das redes ao longo dos últimos anos (o TikTok, por exemplo, foi de 680 milhões de usuários em 2018 para 1 bilhão em 2021) abre diversas possibilidades para produtores e divulgadores culturais. Mas, assim como Zilda, Sitnik alerta: “Tem tanta coisa sendo oferecida que as pessoas ficam lotadas. Elas precisam aprender a lidar, assim como temos que aprender a diferenciar o que é notícia checada do que é falso. Isso vale também para a cultura”.


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