Exploração de madeira crescente prova ineficiência do governo

Para Pedro Luiz Côrtes, novo alerta do Inpe é sinal de negligência do Ministério do Meio Ambiente com o desmatamento

jorusp

Esta semana, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) emitiu novo alerta. A exploração de madeira ilegal na Amazônia subiu. De agosto a meados de novembro, o corte seletivo de madeira na Amazônia superou em 35% toda a extração ao longo dos 12 meses anteriores, segundo o Estadão. Nesse período, poucas árvores, tradicionalmente, são retiradas para exploração comercial. Enquanto isso, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, discute a legalização da exportação de madeira in natura da Amazônia.

Pedro Luiz Côrtes, professor do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEE), comenta os posicionamentos do governo a respeito do desmatamento na Amazônia. “O governo efetivamente nada fez”, declarou ao Jornal da USP no Ar. Para o especialista, o novo alerta do Inpe é um sinal da ineficiência das medidas tomadas até agora pela gestão do presidente Jair Bolsonaro.

“Os grileiros retiram árvores de grande porte, cuja  comercialização é ilegal no País, mas acontece”, conta Côrtes. As maiores plantas têm grande peso no ciclo hidrológico, absorvendo águas subterrâneas, que evaporam em suas folhas — a evapotranspiração. O cientista ambiental lembra ainda que o grileiro desmata por interesses econômicos. E, no mercado paralelo, se armam contra os fiscais de órgãos reguladores, como o Ibama — atualmente relegado pelo governo.

Ao redor do mundo, é a sociedade civil quem se manifesta. O professor fala que Greta Thunberg entrou em greve escolar pelo clima, visando à COP 25. Em São Paulo, os jovens se encontram no Largo da Batata com o mesmo intuito. As repercussões dos danos ambientais são globais. “Supressão de grandes árvores na Amazônia contribui para uma deterioração do clima. Na região Sudeste, Sul. Na Argentina, no Paraguai”, exemplifica Côrtes.

Ouça a entrevista na íntegra no player acima.


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