Excesso de trabalho favorece perda de voz de cantores

Especialistas comentam importância de acompanhamento de profissionais para a saúde vocal

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Recentemente, Bono Vox, vocalista do U2, perdeu a voz repentinamente e teve que interromper um show em Berlim. A situação já aconteceu com outros cantores. Mas quais são os fatores que os levam a perder a voz? As causas podem estar relacionadas: cansaço, idade, estilo de vida, jeito de cantar. O que vale para todos é a utilização de técnicas vocais e de canto que oferecem não só melhor desempenho, como evitam problemas de saúde. Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, Márcia Hentschel, diretora artística e regente do CoralUSP, e Beth Amin, orientadora de técnica vocal, fonoaudióloga e cantora do CoralUSP, falaram sobre técnica vocal, além do seu trabalho no Coral.

Márcia Hentschel comenta que casos de perda da voz são comuns, inclusive ela já fez tratamento algumas vezes. “Quando se trabalha com a voz muitas horas por semana, pode acontecer, se não tiver um respaldo”, afirma. Beth Amin explica que é difícil ser um único fator. Os cantores, por exemplo, possuem uma agenda muito difícil. Antes, o espaço entre shows era muito maior. Hoje em dia, existem as viagens de avião que ressecam a laringe, a idade, além de questões inatas, como uma mucosa de laringe mais sensível.

Foto: Joe Loong via Wikimedia Commons

A fonoaudióloga fala sobre o primeiro sintoma de que algo não está certo com a voz: rouquidão por mais de duas semanas sem causa aparente. Nesse caso, é importante procurar um otorrinolaringologista, fundamental principalmente para os profissionais que trabalham com a voz. Ela recomenda aula de canto, mesmo para quem não trabalha cantando, por ser um exercício interessante para a voz.

Márcia esclarece que qualquer estilo musical pode causar perda da voz, mesmo que seja sertanejo, rock ou samba. É necessário um acompanhamento com professor ou médico, independente do repertório cantado. Beth Amin fala da importância da respiração. Um cantor de ópera precisa de uma técnica de respiração diferente de um cantor de bossa nova. “Se a pessoa tem rinite, bronquite, ela precisa tratar disso, porque essas estruturas precisam estar saudáveis”, ressalta.

No dia 7 de setembro, às 18h, o CoralUSP se apresentará nos jardins do Museu do Ipiranga, ao lado da Osusp, a Orquestra Sinfônica da USP.  “Este ano, com o que aconteceu no Rio, acho que nossa missão é mostrar que sim, temos que levantar museus, escolas, coisas que estão ruindo por aí”, afirma Márcia Hentschel. Para participar do CoralUSP, a única condição é ter 18 anos ou completar no ano de ingresso ao Coral. Não é necessário ser da comunidade USP. As inscrições podem ser feitas neste link.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93,7, em Ribeirão Preto FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

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