Evitar exposição ao coronavírus não deve privar idosos de rotina

Para Wilson Jacob Filho, é fundamental garantir a saúde mental e social do idoso através de atividades cotidianas adaptadas

Evitar contato próximo, lavar as mãos frequentemente, usar lenços descartáveis e cobrir nariz e boca sempre que for espirrar ou tossir são algumas das precauções que todos devemos seguir em tempos de coronavírus. Mas, para os idosos, o cuidado deve ser reforçado ainda mais. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa de letalidade é de 8% para quem tem entre 70 e 79 anos e pode chegar a 15% para quem tem mais de 80 anos. 

Para o professor Wilson Jacob Filho, diretor do Serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, é importante analisar o estado de saúde do idoso, uma vez que a idade em si não oferece uma padronização da vulnerabilidade ao vírus, devendo ser levado em conta a prática de atividades físicas e o diagnóstico de doenças crônicas: “Essas pessoas [de 75 anos] com a vida bastante ativa, com práticas de atividades físicas, com doenças bem controladas terão uma resistência e uma capacidade de defesa muito semelhante a indivíduos de 65 ou de 55 anos. Por outro lado, dentre os indivíduos de 75 anos, há pessoas muito enfermas, portadoras de doenças crônicas, por vezes, pessoas extremamente vulneráveis e capazes de contrair [a doença].”

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

A autoavaliação é um passo importante para mensurar o grau de vulnerabilidade do idoso, como aponta o professor: “Eu me avaliando bem, no sentido de qual o meu grau de vulnerabilidade, terei também a chance de me proteger o necessário ou suficiente, sem exageros e sem ausência de cuidados.” O professor comenta ainda que, quando não se pode evitar sair de casa, como, por exemplo, para realizar um exame de rotina no hospital, deve-se evitar uma maior exposição, como o uso de transporte público, substituindo-o por meios alternativos de locomoção. 

Ainda assim, nesse período de cuidado, é importante que o idoso continue a realizar suas atividades cotidianas com adaptações, como, por exemplo, caminhadas em horários com maior concentração de pessoas podem ser substituídas por uma caminhada no ambiente interno da residência ou em um horário mais ameno. Apostar em aplicativos e telefone para conversar com amigos e familiares também é uma opção para substituir o encontro presencial, como comenta o professor: É fundamental que a pessoa que vai ficar protegida continue tendo o mesmo apoio do ponto de vista social e afetivo e as mesmas atividades que antes realizava, mas agora em ambiente mais restrito, para que ele continue tendo os prazeres naturais que a vida lhe oferecia”.


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