Evento discute importância das finanças no mundo contemporâneo

Seminário na FFLCH aborda a financeirização, que afeta todos os setores da sociedade e modelos comunitários atuais

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Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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.O Seminário Internacional Geografia, Finanças e Desenvolvimento Desigual pretende reativar e ampliar as discussões no campo da geografia das finanças e consolidar o debate interdisciplinar. Serão tratados temas como: finanças na periferia do sistema capitalista, mercados de capital e fluxos financeiros globais, a inserção do Brasil no sistema financeiro global, a geografia dos sistemas bancários, finanças corporativas e o território, agentes do Estado e processos de financeirização, finanças alternativas e solidárias e financeirização da vida cotidiana. O evento é organizado pelo Departamento de Geografia da USP e Global Network on Financial Geography (FINGEO), rede que une geógrafos e outros cientistas sociais de todos os continentes. O Jornal da USP no Ar conversou com o professor Fábio Contel, do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e coordenador do evento.

A geografia das finanças é uma especialização da geografia econômica, fruto do próprio aumento da importância das finanças no mundo contemporâneo. “As finanças, que sempre foram dos estados nacionais e das grandes empresas, hoje atingem a população de mais baixa renda, atingem o cotidiano da vida das pessoas nas cidades”, afirma Contel. Todos os setores econômicos, mesmo aqueles que não eram financeirizados (como agricultura, indústria e serviços), têm as finanças como um dos componentes principais. Trata-se do fenômeno da financeirização. Nesse contexto, há empresas com uma lucratividade financial maior do que o lucro comercial do próprio objeto que ela vende.

As finanças alternativas e solidárias também se relacionam ao cenário contemporâneo. O especialista cita o exemplo das cooperativas de crédito como uma modalidade financeira interessante e não monopólica. Essas cooperativas mantêm uma relação muito forte com o local onde estão instaladas, “então se o lugar em que estão instaladas não vai bem, elas não vão bem; é um acordo bastante interessante e que foge dessa lógica de grandes bancos”. Outro exemplo são os bancos comunitários, “instituições geralmente criadas por movimento preexistentes, como movimentos por moradia ou organização de mulheres, que criam instituições locais voltadas para necessidades de bairros ou comunidades”. Esses bancos não cobram juros pelos serviços prestados, seguindo uma lógica alternativa à do capitalismo financeiro.

O Seminário Internacional Geografia, Finanças e Desenvolvimento Desigual acontece de 15 a 17 de maio, na FFLCH. Para mais informações, acesse o site do evento: http://fingeo2019.com/en/home/.

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