Estudo possibilita cultivo de arroz em lama do desastre de Mariana

O experimento constatou baixo teor tóxico na lama, que torna possível a reutilização do solo para agricultura

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Estudos preliminares em lama de resíduos da mineradora Samarco mostram baixas concentrações de substâncias tóxicas, mas também de nutrientes. Estes são os resultados publicados por pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da USP e da Universidade Federal do ABC (UFABC) sobre pesquisas que realizaram com solo e lama do subdistrito de Bento Rodrigues, no município de Mariana (MG). Para comentar esse estudo, o Jornal da USP no Ar conversou com um dos pesquisadores, o professor Bruno Lemos Batista, do Centro de Ciências Naturais e Humanas da UFABC.

Batista afirmou que eles fizeram uma coleta do solo em Bento Rodrigues, que foi a primeira região afetada pelo rompimento das barragens. Segundo ele, a pesquisa tinha como objetivo inicial verificar se na lama havia metais de grande potencial tóxico e, a partir daí, avaliar a toxicidade presente no cultivo de arroz.

No entanto, surpreendendo o grupo de pesquisadores, a análise do solo constatou que, apesar de ter sido possível o cultivo, o arroz era mais pobre em minerais onde havia uma maior concentração de lama. Dessa forma, os resultados indicam que há a possibilidade do uso da terra afetada pelo desastre para agricultura e reflorestamento.

A pesquisa recebeu o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Os resultados sobre a toxicidade do solo estão na edição de novembro de 2016 da Environmental Pollution. Já as recentes análises das plantações de arroz na lama estão na revista Chemosphere de fevereiro de 2018.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93,7, em Ribeirão Preto FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

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