Estudo feito com mães adolescentes e bebês concorre a prêmio

Primeiros Laços desenvolve estratégias de intervenção que evitem transtornos na fase adulta

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O estudo Primeiros Laços: um programa de visitação domiciliar para jovens mães e seus filhos vivendo em condições adversas, liderado por pesquisadores do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina (FM) da USP, concorre a prêmio de Inovação Médica. Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, Guilherme Polanczky, professor de Psiquiatria da Infância e Adolescência do Departamento de Psiquiatria da FM e coordenador do projeto Primeiros Laços, e Anna Maria Chiesa, professora da Escola de Enfermagem (EE) da USP, também coordenadora do projeto, falaram sobre o estudo.

De acordo com Polanczky, tanto na adolescência quanto na fase adulta, a origem dos transtornos mentais está nos primeiros anos de vida e desenvolver estratégias que interfiram nos processos anormais do desenvolvimento cerebral podem ter o efeito de preveni-los. Intervenções na gestação, principalmente com gestantes de alto risco, já vêm sendo estudadas em todo o mundo há muito tempo, mas no Brasil ainda não havia nenhuma estratégia dessa forma de visitação durante a gestação, com evidências científicas, de impacto sobre o desenvolvimento das crianças.

O projeto foi desenvolvido numa parceria do Ipq com a EE, e a intervenção previa visitações feitas por enfermeiras treinadas durante o período de toda a gestação e nos dois primeiros anos das crianças. As mães tinham idade entre 14 e 19 anos e estavam na sua primeira gestação. Foram 80 meninas envolvidas na fase piloto e, na fase seguinte, a estimativa é de que sejam 200. Segundo Anna, houve  todo um trabalho em adaptar culturalmente o conteúdo das visitas, incluindo mais a família.

Todas as visitas percorriam cinco eixos do diálogo com a adolescente: cuidado com a saúde dela e do bebê, a organização e as relações do ambiente, a parentalidade (como a jovem se organiza e se torna mãe), família e rede social de apoio e o eixo do curso de vida, pois uma das questões relevantes é que a gestação não seja um entrave no desenvolvimento da adolescente, que deve voltar a estudar e trabalhar.

Polanczky fala sobre os resultados, efeitos positivos em dimensões muito importantes do desenvolvimento. As visitas tiveram efeitos no desenvolvimento da linguagem e motora e no “perfil de apego” das crianças, que é a base do desenvolvimento emocional, área que, quando afetada, é suscetível a transtornos como depressão e ansiedade. Agora, a intenção é consolidar o resultado em outro grupo de mães. Para ele, são intervenções  complexas e o objetivo é ambicioso, mas, com a certeza que funciona, a intenção é replicar o estudo em outros contextos.

O estudo Primeiros Laços: um programa de visitação domiciliar para jovens mães e seus filhos vivendo em condições adversas é finalista do Prêmio Abril & Dasa de Inovação Médica, na categoria Inovação em Medicina Social. Você pode votar aqui.

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