Estudo dos povos mesoamericanos revela conhecimento continental

Para coordenador do Centro de Estudos, cada povo traz trajetórias particulares, mas com momentos em comum

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O Centro de Estudos Mesoamericanos e Andinos (Cema) da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP está inaugurando duas novas seções em seu site. Uma delas contém a produção científica de coordenadores e pesquisadores e conta com mais de 70 produções. São artigos, dissertações, teses, livros, capítulos de livros e entrevistas produzidos nas duas últimas décadas e que versam sobre a história dos povos indígenas. A outra seção, recentemente adicionada ao site, contém um acervo de fontes históricas indígenas e de literatura histórica, antropológica e arqueológica.

O professor e coordenador do Cema, Eduardo Natalino dos Santos, do Departamento de História da FFLCH, entrevistado pelo Jornal da USP no Ar, contou que o objetivo do centro sempre foi fortalecer no Brasil a pesquisa da Mesoamérica, onde estão localizados México e Guatemala, e dos Andes, onde ficam Peru e Bolívia. A história indígena desses povos ainda é muito pouco conhecida no País e o grupo pretende ao mesmo tempo organizar o conhecimento já existente e impulsionar novas pesquisas, explica ele.

O material do centro se divide em dois acervos: o primeiro da produção de pesquisadores ligados ao grupo, com artigos, teses, dissertações e livros; e o segundo, bastante raro, composto de fotografias de manuscritos, conseguidos ao longo dos 19 anos de Cema. Como exemplo de objetos desse segundo acervo, o professor cita textos coloniais do Peru, dos séculos 16 e 17, e textos manuscritos ainda mais antigos, os códices mesoamericanos.

Os principais interessados no intercâmbio desses materiais são professores e estudantes de fora da área, devido à crescente demanda no Brasil por conhecimento sobre cultura indígena, que se tornou parte obrigatória do currículo escolar em 2008. O pesquisador ressalta a importância desse interesse, já que grupos indígenas brasileiros só tiveram seus direitos garantidos na Constituição de 1988 e agora se veem ameaçados.

Apesar de não estar dedicado diretamente ao estudo dos povos indígenas do Brasil, Santos ressalta que se trata de uma história continental e conectada dos povos ameríndios, tanto no período pré-hispânico quanto no período colonial. Trata-se de trajetórias próprias e particulares, mas com momentos em comum e com algo que o professor chama de sistema de pensamento compartilhado.

O conteúdo digitalizado pode ser acessado através do site do Cema e, para a parte do material que não está disponível on-line, pode ser agendada uma visita através do e-mail: cema@usp.br.

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