Estudo busca semelhança no DNA de pacientes graves de febre amarela

Pesquisadores da USP trabalham com comunidades rurais do Vale do Ribeira, fortemente afetadas no começo do ano

jorusp

Recorrente entre os meses de janeiro e março, a febre amarela é uma das principais preocupações para o brasileiro no verão. Se focarmos no Estado de São Paulo, a ocorrência de epidemia durante esse período já está se tornando tradição e os prognósticos são graves.

Durante 2018, a região das cidades da Mairiporã e Atibaia foi o principal foco. A professora Anna Sara Levin, do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), contou ao Jornal da USP no Ar que, a cada três pessoas com casos graves que eram encaminhadas ao Hospital das Clínicas, duas morriam. No início de 2019, a doença retornou em seu ciclo anual, atingindo sobretudo a região do Vale do Ribeira.

Para tentar descobrir previamente quão grave será o quadro do paciente de febre amarela e a intensidade de seus sintomas, pesquisadores do Instituto de Medicina Tropical (IMT) da USP estão desenvolvendo um estudo com moradores da cidade de Eldorado. O objetivo é determinar um biomarcador genético que indicaria essa predisposição, o que possibilitaria um melhor encaminhamento dos casos mais preocupantes.

Os experimentos foram realizados in vitro com hemácias humanas infectadas com o P. falciparum experim – Ilustração: Divulgação/LabNetwork

A região do Vale do Ribeira, na qual a cidade de Eldorado se insere, é muito pobre e formada por populações rurais tradicionais. Segundo Anna, que é também pesquisadora do Laboratório de Bacteriologia do IMT, o trabalho dos pesquisadores surge para tentar entender os impactos da experiência devastadora que a febre amarela causou ali.

Por viverem em comunidades afastadas e fechadas em si, os moradores muitas vezes são geneticamente próximos, mas como a febre pode afetar os indivíduos em intensidades tão diferentes? Por isso, foram coletados materiais para exames, como amostras de saliva e sangue, que estão sendo processadas para se estudar biomarcadores e descobrir se há algo que diferencie aqueles que ficarão muito doentes.

“Estamos procurando no DNA das pessoas que faleceram por causa da doença alguma característica comum. Depois, iremos comparar se esses biomarcadores aparecem na população que foi afetada agora no começo do ano nas comunidades rurais do Vale do Ribeira, tentando associar a gravidade da manifestação com a variação genética”, explica Anna.

De toda forma, a vacina segue sendo a única solução. Ela pontua que os moradores de Eldorado não foram vacinados de maneira eficaz. Faltou informar a população, compreender as dinâmicas de trabalho para determinar o melhor horário para oferecer a vacinação. “Agora, a grande maioria já está vacinada lá, mas a epidemia deve migrar para outros lugares.”

A professora cita o trabalho do pesquisador Adriano Pinter, que, estudando corredores ecológicos e a morte da população de primatas, consegue, de certa forma, prever para onde a epidemia irá se dirigir. “É necessário descobrir o possível próximo local a ser atingido e promover a vacinação”, conclui.


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