Estudo aumenta tempo para uso de trombolítico em pacientes com AVC isquêmico

Congresso Mundial de AVC, no Canadá, trouxe estudo com expansão da janela terapêutica para a trombólise do AVC

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Na coluna Minuto do Cérebro desta semana, o professor Octávio Pontes Neto fala sobre a janela terapêutica para trombólise do Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico, principal subtipo de AVC, causado por um coágulo que entope a artéria que leva sangue para o cérebro. 

Segundo o professor, o tratamento geralmente consiste em administrar um remédio chamado trombolítico, que é aplicado na veia do paciente. Esse remédio dissolve o coágulo  e restaura o fluxo do sangue para o cérebro. “Entretanto, até recentemente, a janela terapêutica para administrar esse medicamento era até 4 horas e meia do início dos sintomas, ou seja, era urgência muito grande, e poucos pacientes eram elegíveis para o tratamento.”

Entretanto, diz Pontes Neto, na última semana, no Congresso Mundial de AVC em Montreal, no Canadá, foram apresentados resultados do estudo Extend, que testou a administração de trombolítico para pacientes com AVC isquêmico entre 4 horas e meia a 9 horas do início dos sintomas. “Os pacientes que participaram do estudo foram selecionados por neuroimagem avançada com tomografia ou ressonância com perfusão.”

No estudo, diz Pontes Neto, esses pacientes com AVC isquêmico, selecionados por CT perfusão, tipo de tomografia com contraste, ou por ressonância com perfusão, que tinham o que se chama de mismatch, ou seja, uma diferença entre a área do tecido que já estava perdida e a área que podia ser salva, a administração de trombolítico resultou numa melhora da evolução clínica, diminuição de capacidade funcional e maior taxa de recanalização arterial. “O estudo vem para expandir a janela terapêutica da trombólise, praticamente dobrar de 4 horas e meia para até 9 horas, com o uso da utilização de neuroimagem avançada com CT perfusão ou ressonância com perfusão.”

Para finalizar, Pontes Neto explica que a trombólise para AVC aumenta um pouco o risco de transformação hemorrágica mesmo, e nesse estudo isso também aconteceu, aumentou um pouco esse risco, mas sem impacto na mortalidade dos pacientes. “Os pacientes que sangram são, geralmente, pacientes muito graves. Em geral foi um tratamento seguro e com benefício importante na redução de incapacidade, mas que deve ser feito dentro de critérios definidos de elegibilidade em centros com experiência e, sobretudo, em centros que disponham de métodos de avaliação com neuroimagem de ressonância com perfusão ou CT com perfusão.” Ouça acima, na íntegra, o comentário do professor Octávio Pontes Neto.

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