Estádio, calendário e boa gestão mudaram a economia do futebol

Tese mostra que novo modelo de administração sustentável do futebol pode recuperar os clubes no Brasil

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Os clubes de futebol construíram as respectivas matrizes econômicas tendo seus estádios como um fator novo e fundamental para criar essa economia mais sustentável, obtendo certa independência da TV e das receitas aleatórias. Hoje existe a obtenção de um novo modelo de administração sustentável no futebol e, de tal maneira, sendo possível a recuperação para os clubes no Brasil.

Para que esse ambiente ocorra, o futebol brasileiro passou por diversas evoluções. A princípio, o estádio era visto como um local de lazer, sem preocupação com conforto e segurança, mesmo eles obtendo um leve destaque como uma fonte de renda. A Copa do Mundo de 1970 trouxe um novo capítulo com a transmissão  dos jogos na televisão e em escala mundial, viabilizando o — até então — novo veículo de comunicação como uma forma de financiamento. Antes dessa fonte de renda, já havia a receita por venda de jogadores, uma vez que o clube tinha o controle federativo sobre o atleta. Dessa forma, os clubes criaram dependência sobre esses dois meios, principalmente a TV com a extinção da Lei do Passe sobre os jogadores. A mudança na matriz econômica se deu recentemente, com os estádios construídos e reformados, para a Copa do Mundo de 2014, aqui no Brasil.

O Jornal da USP No Ar conversou com José Luiz Portella, engenheiro especializado em Gestão e Orçamento, doutorando da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP em História Econômica, com a tese Governança Econômica dos Clubes de Futebol no Brasil — Economia do Futebol. Portella também foi secretário-executivo do Ministério do Esporte no governo FHC e coordenou e aprovou o Estatuto do Torcedor e a Lei de Responsabilidade Fiscal dos Clubes de Futebol, em 2003. Ele também é colunista do jornal Lance!. Portella afirma que, com o surgimento desses novos espaços mais modernos, a relação do torcedor mudou. “Do torcedor que ia em qualquer lugar, apareceu o torcedor-cliente e a economia de futebol. Um torcedor que vai, desde que se tenha um bom acesso, alimentação, local para estacionar o carro. Os estádios mudaram a relação e fizeram surgir, naturalmente, um ativo que permitia ao clube que, ao invés de ver o estádio como algo que só desse despesa, um item de perda de dinheiro, em um ativo. Em alguns casos, de grande fonte de renda, como é o Palmeiras.”

Contudo, não é só o estádio no “padrão Fifa” que pode ser peça para recuperar o futebol economicamente. Os clubes devem ter, segundo Portella, o ativo financeiro que seja do próprio controle. A economia do futebol, antes rudimentar, hoje é totalmente indispensável. Mas mudanças são necessárias, tanto dos clubes quanto da estrutura do calendário esportivo nacional, que busque um equilíbrio entre os clubes que disputam a competição organizada. O especialista aponta três pontos-chave para um cenário promissor: “O primeiro fator é as pessoas entenderem que a necessidade do ativo é que cria a independência do clube. Depois, para tornar essa fonte cada vez melhor, depende de um ambiente. E o terceiro pilar é o profissionalismo, no sentido da qualidade do dirigente”.

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