Especialista alerta sobre os riscos do outono na pandemia

Diante das projeções assustadoras da doença para a estação, o professor Valdes Roberto Bollela insiste nos cuidados com higiene e com uso de ar-condicionado

 26/04/2021 - Publicado há 7 meses
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Há uma tendência de aumento de doenças respiratórias em períodos mais frios, o que redobra a preocupação com a covid-19 – Foto: Paulo Pinto via Fotos Públicas

O período entre abril e maio representa a chegada do outono no Brasil, com a aproximação dos meses mais frios do ano no país tropical. Mas, segundo uma pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF), os meses de abril e maio podem significar um período dramático neste momento de pandemia. Isso porque o estudo aponta que o País pode chegar à marca de 5 mil mortes provocadas pelo novo coronavírus em um único dia.

A pesquisa, que se baseou na evolução da curva de casos e óbitos diários no Brasil e em mais de 50 países, até fevereiro deste ano, utilizou um modelo matemático-epidemiológico para fazer as projeções. Os dados mostram alguns padrões de comportamento dos vírus respiratórios que variam conforme as condições ambientais, com períodos de aumento e redução de casos, o que é conhecido como sazonalidade.

A covid-19 e o frio

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar – Edição Regional, Valdes Roberto Bollela, professor da Faculdade de Medicina da USP, em Ribeirão Preto, e especialista em Doenças Infecciosas e Tropicais, explica que há relação entre o aumento de doenças respiratórias em períodos mais frios, “principalmente nos países que têm as quatro estações bem definidas”, o que não fica tão evidente no Brasil. Por ser um país que não tem um inverno tão rigoroso na maior parte do território, Bollela acredita que não representa “um grande problema em relação à covid-19”.

No entanto, foi entre o outono e o inverno que a cidade de Ribeirão Preto apresentou os piores números da pandemia em 2020, tanto de casos quanto de mortes. E os primeiros meses de 2021 já mostram evolução no número de casos, fazendo do último março o pior mês da pandemia desde o ano passado. Assim, o professor acredita que “a tendência é que o município acompanhe as projeções nacionais”, com o número de casos e mortes aumentando neste momento.

Bollela ressalta que é comum a oscilação no número de casos e relembra que, entre o final do ano passado e o início de 2021, houve uma queda no número de novos casos e mortes provocadas pela doença. Com a falsa impressão de que estava tudo controlado, conta o professor, o Brasil viu o período de pandemia voltar com ainda mais força desde fevereiro deste ano. “A gente não tem ideia de onde isso vai dar. Não há limites para a situação piorar, essa é a verdade.”

Cuidados

Pela situação, Bollela chama a atenção para o uso de ar-condicionado, principalmente em uma cidade quente como Ribeirão Preto. É que o aparelho, em momentos como esse, pode ser o vilão da história, já que, para ser usado, é preciso fechar todas as janelas e portas. Dependendo do número de pessoas a ocupar o mesmo ambiente, aumenta o risco de transmissão de doenças respiratórias, especialmente da covid-19. Em casos como esse, alerta o professor Bollela, “a orientação é manter uma boa ventilação do ambiente”.

Apesar das projeções de aumento no número de casos neste período do ano, Bollela afirma que as recomendações seguem a mesma: boa higiene das mãos, uso adequado de máscaras, além de evitar aglomerações. A única diferença, segundo o professor, é que os cuidados, nesta época, precisam ser redobrados, porque “no frio, a pessoa tende a ficar mais em ambientes fechados, o que pode ser um problema”.


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