Especialista alerta para importância do teste sorológico HIV

Para o infectologista Ésper Kallas, o teste deveria ser realizado ao menos uma vez ao ano

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Em 2017, 9,4 milhões de pessoas no mundo não sabiam que estavam infectadas com HIV. O número preocupa o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), que faz um apelo para que todos conheçam seu estado sorológico. O organismo ressalta que a informação sobre ter ou não o vírus pode salvar vidas, além de proteger famílias e parceiros de quem é soropositivo. O chefe do programa das Nações Unidas disse ainda que a Aids é “uma doença potencialmente letal, mas tratável”. No Brasil, o tratamento, um dos melhores do mundo, é oferecido através dos antirretrovirais gratuitamente.

Jornal da USP no Ar conversou sobre o assunto com o infectologista Ésper Kallas, professor da disciplina de Imunologia Clínica e Alergia da Faculdade de Medicina (FM) da USP. Ele relembrou que é cada vez mais fácil fazer o teste, bastando se dirigir a um dos centros no país que oferecem testagem gratuita, anônima e rápida, com resultados disponíveis após um período de apenas 20 minutos, ou até mesmo comprando testes de farmácia, para fazer em casa. No caso de um resultado positivo, apesar da eficiência do exame em mais de 99% das vezes, a orientação é que se realize um novo teste em um laboratório de referência para obter confirmação.

Outro fator apontado pelo doutor Kallas foi que o teste pode demorar até 30 dias após o contato para mostrar que a pessoa está infectada pelo vírus. Assim, ele recomenda que se favoreça a testagem nos centros especializados, que oferecem, além do teste em si, aconselhamento sobre a necessidade de se repetir o procedimento, quando isso deveria ser feito e formas de prevenção contra a doença.

Após a entrada do vírus HIV no organismo, aos poucos, ele vai comprometendo o sistema de defesa e deixando a pessoa infectada suscetível a bactérias, fungos e a outros vírus. Dessa forma, explica o especialista, a Aids não é a mera infecção pelo HIV, mas, sim, o aparecimento dessas doenças, chamadas oportunistas. Quanto mais rápido for iniciado o tratamento com as pílulas do coquetel diário, maior a conservação do sistema imune e a possibilidade de se manter a qualidade de vida.

Kallas aponta que a qualidade da medicação vem avançando cada vez mais, chegando a combater o vírus de forma tão eficiente que pode torná-lo indetectável no sangue do paciente. Mesmo assim, ele ressalta a necessidade do uso dos remédios de forma constante, regular e com acompanhamento médico, sem a possibilidade de abandono do tratamento, pois, na maioria dos casos, o vírus volta a aparecer dentro de duas a quatro semanas.

O doutor recomenda, por fim, que o teste seja realizado sempre que possível, pelo menos uma vez ao ano.

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