Especialista afirma que democracia é a chave para superar crises sanitárias

Fotomontagem com imagens Fotos Públicas de Governo da Bahia, Takumã Kuikuro e Legado Lima

O programa Ambiente É o Meio desta semana conversa com o professor Paulo Artaxo, do Instituto de Física (IF) da USP, sobre o artigo As Três Emergências que Nossa Sociedade Enfrenta: Saúde, Biodiversidade e Mudanças Climáticas, publicado na centésima edição da revista Estudos Avançados, do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP.

Paulo Artaxo, professor do IF – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

No artigo, o professor aponta as crises da saúde e climática, assim como a perda de biodiversidade, como fatores que têm desestabilizado não só o Brasil, mas todo o planeta. Problemas esses que, para Artaxo, foram agravados durante a pandemia da covid-19, além de mostrarem que “não há como a humanidade resolver um problema global com uma precariedade tão grande de governança”.

Para Artaxo, a solução para as crises que o mundo vem enfrentando virá quando os países escolherem governos comprometidos com a democracia e a questão ambiental. No caso do Brasil, afirma que é necessário “retornar para um sistema onde a população tenha voz e possa participar das grandes decisões nacionais”. Conta que, atualmente, as ações em relação ao meio ambiente estão nas mãos de pequenos grupos, como o setor do agronegócio, mas adverte que os recursos naturais “não pertencem a um setor, mas a todos os brasileiros”. 

De acordo com o professor, a saúde e as questões climáticas são fatores com potencial para ditarem o futuro da humanidade. Cita, como exemplo, a perda de biodiversidade na Amazônia, que abriga vírus até hoje desconhecidos, que convivem em equilíbrio com a fauna e a flora da região. Vírus estes que, em contato com a civilização, podem provocar pandemias ainda piores que a atual. Por isso, alerta para a necessidade de repensar as políticas atuais. “Estamos passando por um período muito crítico da história da humanidade; o que vamos fazer nos próximos cinco ou dez anos vai ser a chave para desenhar como a humanidade vai caminhar ao longo dos próximos séculos.”