Epidemia de coronavírus gera fake news que causam pânico nas redes sociais

Celso Granato considera tal prática um crime, na medida em que os boatos podem levar a tratamentos sem nenhuma eficácia, fazendo com que se abandonem hábitos simples, como a lavagem das mãos

jorusp

Desde que iniciada a epidemia do novo coronavírus, nomeado de Covid-19, muitas fake news estão surgindo, principalmente nas redes sociais. Os boatos se espalham e causam pânico entre as pessoas, mesmo que os esforços governamentais no Exterior e no Brasil sejam de cautela para qualquer sinal de infectados. O Jornal da USP no Ar conversou com Celso Granato, pesquisador associado do Laboratório de Virologia do Instituto de Medicina Tropical (IMT) da Faculdade de Medicina (FM) da USP, que alerta sobre o perigo dessa desinformação sobre doenças.

Número de mortes pelo coronavírus passa de 100 na China – Foto: Tyrone Siu via Agência Brasil / EBC

“Eu considero isso um verdadeiro crime, pois as pessoas não só são induzidas a tomar medidas, remédios e a fazer tratamentos sem nenhuma eficácia, como podem deixar de fazer o que realmente importa e que são muito mais simples. As medidas simples para evitar a contaminação por esse coronavírus novo quando ele chegar ao Brasil, por exemplo, é lavar as mãos e evitar lugares com muitas pessoas”, orienta Granato, que também é professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Para fugir de mensagens falsas, distorcidas total ou parcialmente, Celso Granato recomenda sempre ouvir informações de boas fontes. Entre elas, temos as autoridades públicas como Ministério e Secretarias da Saúde, e rádios que buscam ouvir especialistas, como a Rádio USP. Algo que está sendo espalhado é que produtos comprados  e de origem chinesa estão contaminados com o novo coronavírus. Acontece que doenças respiratórias, como essa epidemia, podem ser transmitidas, por exemplo, por gotículas. “Os vírus são muito frágeis, não tendo capacidade [ativa] para viver independente como uma bactéria ou fungo, passando a ‘existir’ quando dentro de uma célula. Durante o processo de transporte da China para o Brasil, que demora horas, dias e semanas, ele morre. Então, esses produtos não representam riscos para ninguém.”

“É muito provável que o vírus chegue aqui [no Brasil] em algum momento. O mundo é muito conectado, há inúmeras pessoas que chegam da China, sejam chineses, sejam brasileiros a negócio. Quando ele chegar, é possível que pessoas mais vulneráveis venham a ter formas graves da doença, [mas] isso representa a menor parte.”

Ouça a entrevista completa no player acima.


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