Escrita afrodescendente capacitou uma autobiografia emancipatória

Evento do IEA discutirá desde obras de escravos do século 18 à literatura negra do século 20, afirma Maria Helena Machado

jorusp

O dossiê Tinta Negra, Papel Branco: Escritas Afrodescendentes e Emancipação, tema de debate no evento do Instituto de Estudos Avançados (IEA), analisa os parâmetros da narração da história pessoal como estratégia de apropriação do si mesmo e como paradigma da emancipação. O Jornal da USP no Ar conversa sobre o assunto com a professora Maria Helena Machado, pesquisadora do Programa Ano Sabático do IEA, especialista em história social da escravidão, abolição e pós-emancipação, com experiência de pesquisa em arquivos no Brasil e nos Estados Unidos.

A professora relembra que a ideia do evento foi retirada de um autor norte-americano chamado Christopher Hager, que escreveu um livro sobre a escrita de escravos e de como o padrão de escrita revelava a pessoa que se construía e se expressava de uma forma nova, porque a escrita era limitada a camadas mais altas, sobretudo no século 19. Maria Helena afirma que a intenção foi fazer um dossiê com textos de escravos e libertados, mas também trazer a literatura negra do final do século 19 e início do século 20 como um processo novo de emergência da literatura afrodescendente e também da pessoa afrodescendente livre.

“A questão de ser afrodescendente e da necessidade de emancipação está sempre presente. Dessa forma, nós fizemos nossa abordagem, que vai desde a escrita de escravos, do final do século 18, a grandes autores, como Lima Barreto. Uma nova abordagem, creio eu”, afirma a pesquisadora, que completa: “Fazer um recorte de maneira diferente, pensar como a escrita capacitou homens e mulheres afrodescendentes a pensarem sobre si, construírem um selfie, terem um senso narrativo e autobiografia”.

Gratuito, o evento Tinta Negra, Papel Branco: Escritas Afrodescendentes e Emancipação acontece nesta terça-feira, 8 de outubro, das 9h30 às 16h na Sala Alfredo Bosi do IEA, localizada na Rua da Praça do Relógio, 109, térreo – Cidade Universitária. Para participar, é preciso se inscrever neste link. O dossiê também terá transmissão ao vivo pela internet em http://www.iea.usp.br/aovivo.


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