Ensino remoto emergencial deve levar em conta acesso de alunos à internet

Segundo Marcos Garcia Neira, devido à especificidade de cada nível escolar, aulas remotas deveriam ser planejadas pensando no perfil dos alunos e na questão da acessibilidade

Apesar da pandemia que enfrentamos atualmente ser um assunto relacionado à saúde, seu escopo atinge todas as esferas de uma sociedade. No Brasil, isso não é diferente e a educação é uma das áreas mais acometidas pelos efeitos do vírus.

Chamado erroneamente de ensino a distância, as atividades de ensino remoto emergencial são dadas a cada nível escolar de maneiras distintas e devem (ou deveriam) ser planejadas pensando na especificidade de cada caso. “Aquilo que nós prezamos na educação infantil, que é a experiência lúdica, a experiência do brincar, fica impossibilitada”, comenta Marcos Garcia Neira, professor e atual diretor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).

Ele complementa, falando que em tese os alunos do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio teriam um pouco mais de autonomia, de experiência de vida e até domínio tecnológico para fazer as atividades. Isso pode ficar na tese, pois o acesso a essas atividades não é uniforme, e alunos de uma classe mais favorecida saem em vantagem por terem condições de ter um computador, de ter uma internet de boa qualidade e até um ambiente mais propício para o estudo. A própria Faculdade de Educação fez uma pesquisa com a população universitária (mais de 950 alunos de graduação), perguntando sobre questões de acesso, e os resultados mostram que a maioria não tem acesso à internet.

Neira aproveita para citar que, devido a este momento ímpar no meio educacional, a Faculdade de Educação da USP está disponibilizando vários materiais interessantes em seu site, em um projeto chamado Educação em Tempos de Isolamento.

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