Engenharia, aliada à ciência, busca garantir exploração segura e eficaz dos oceanos

Segundo Cláudio Ruggieri, “os oceanos são de fato a nova fronteira econômica e tecnológica da humanidade. As Nações Unidas projetam uma população de 8, 9 bilhões de pessoas em 2030, o que vai exigir a disponibilização de recursos energéticos e minerais”

Coleta de sedimentos na foz do rio São Francisco realizada em 2016 durante expedição oceanográfica do navio alemão RV Meteor – Foto: Igor M. Venancio / Divulgação Agência Fapesp

A exploração dos oceanos tem vital importância na economia de alguns países e a busca para que essa exploração seja sustentável passa por soluções inovadoras e pelo uso responsável dos recursos marinhos. Em meio a essas soluções que garantem a segurança operacional da infraestrutura marítima e submarina, existem plataformas de exploração e produção de petróleo, tubulações submarinas de transporte de gás e óleo sob alta pressão, entre outras.

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“Os oceanos são de fato a nova fronteira econômica e tecnológica da humanidade. Isso ocorre por razões naturais e óbvias. As Nações Unidas projetam uma população de 8, 9 bilhões de pessoas em 2030, o que vai exigir a disponibilização de recursos energéticos e minerais”, explica Cláudio Ruggieri, professor do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da Escola Politécnica (Poli) da USP.

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição, Ruggieri comenta que normalmente, quando se pensa na exploração de recursos minerais e naturais oceânicos, a primeira coisa que vem à mente é a exploração de gás e óleo. Apesar de o mundo pensar cada vez mais em uma economia mais verde, o petróleo e o gás extraídos de plataformas continentais ainda vão prevalecer como uma das principais fontes de matriz energética. Neste caso, existe a necessidade de garantir que toda a infraestrutura envolvida opere de forma segura e eficaz para evitar ou, em casos que não seja possível, minimizar possíveis impactos ambientais, e a engenharia alinhada à ciência tem justamente o papel de garantir esse funcionamento.

Na Escola Politécnica da USP, há vários grupos que atuam fortemente (inclusive, com apoio da Petrobras, Fapesp e CNPq) no desenvolvimento de metodologias de avaliação de falhas estruturais. O intuito é antecipar o problema, para que essa falha não ocorra. O professor cita o exemplo envolvendo as novas reservas do pré-sal, em que o óleo, mesmo sendo de qualidade elevada, tem um problema associado de grande concentração de elementos agregados ao petróleo. Pensando nisso, grande parte das tubulações que conduzem o óleo é constituída por um revestimento interno com uma liga de níquel sofisticada. As metodologias criadas pela Escola Politécnica, principalmente pelo Departamento de Engenharia Naval e Oceânica, tentam garantir a operação segura e eficaz dessas tubulações por 30 anos.


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