Empresas e funcionários aprenderam a melhorar e a gerenciar o trabalho a distância

O professor Wilson Amorim comenta o relatório técnico “Satisfação e Desempenho no Home Office”, realizado em junho deste ano com o objetivo de identificar as percepções dos profissionais

 15/09/2021 - Publicado há 1 mês
Do ponto de vista das pessoas, aumentou a opinião de querer continuar em home office, sob justificativa de maior produtividade Do ponto de vista das pessoas, aumentou a opinião de querer continuar em home office, sob justificativa de maior produtividade  – Foto: Firmbee – Pixabay

 

O relatório técnico Satisfação e Desempenho no Home Office foi realizado em junho deste ano, com o objetivo de identificar as percepções dos profissionais trabalhando em suas casas. O estudo comparou os dados obtidos com os dados levantados em junho de 2020, momento da migração compulsória, como medida de prevenção decorrente da pandemia de covid-19. A pesquisa analisou a resposta de cerca de 2 mil voluntários de diversas áreas do mercado de trabalho que estão em trabalho remoto.

“Do ponto de vista das pessoas, aumentou a opinião de querer continuar em home office”, contou ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição o professor Wilson Amorim, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP e coordenador da pesquisa. De acordo com ele, a percepção dos participantes em torno da qualidade do seu trabalho aumentou. Esses números indicam que empresas e funcionários aprenderam a gerenciar o trabalho a distância, com algumas empresas ainda apoiando os seus funcionários que estão nesse regime. 

O levantamento indica uma maior satisfação e produtividade em relação ao seu trabalho por parte dos profissionais, principalmente por aqueles que possuem jornadas de trabalho extensa. Outro dado interessante que pode explicar esse aumento de produtividade é a diminuição da sensação de flexibilidade oferecida pelo home office. Segundo Amorim, conforme as empresas foram se adaptando a trabalhar a distância, elas desenvolveram novas formas de gerir e coordenar o trabalho. “A empresa também está aprendendo a gerir mais o tempo do trabalho da pessoa que está em casa e começa a ter visibilidade do que faz, quando faz e como faz”, afirma o professor.

A opinião em relação à manutenção do trabalho remoto foi positiva, muitos demonstram o interesse de continuar trabalhando de suas casas. Para Amorim, essa percepção vem do fato de que o regime on-line de trabalho traz um ganho de qualidade de vida atrativo ao funcionário, combinado ao benefício de realizar sua função no conforto da sua casa. Do ponto de vista das empresas, o professor destaca que o cálculo para classificar o regime home office é mais complexo. Com os efeitos da pandemia sobre a economia, muitas empresas têm de prever quais podem ser os desdobramentos da pandemia e o custo-benefício de manter um funcionário em trabalho remoto em relação à sua função. “Isso gera incerteza na economia e afeta o cálculo das empresas sobre o que fazer com os seus trabalhadores”, conclui Wilson.


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