Elevação da taxa de juros pelo Banco Central impacta renda dos trabalhadores

O professor Rafael Paschoarelli explica os impactos do aumento da taxa Selic tanto para pessoas físicas quanto para o governo

 05/04/2021 - Publicado há 8 meses
“O Banco Central chegou atrasado e não é o que o mercado queria”, afirma Rafael Paschoarelli – Foto: Agência Brasil

Na contramão do que vem sendo feito no mundo neste momento de pandemia, o Banco Central eleva a taxa de juros Selic para 2,75%. Esse aumento da inflação irá impactar diretamente a classe trabalhadora, que terá seu poder de compra achatado.

Para o governo, a taxa de juros a 2,75% é menos custosa, já que o valor dessa taxa é mais levada em conta do que a própria dívida pública, como explica o professor Rafael Paschoarelli, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição. Ele explica que, em termos de juros, é indiferente se a dívida pública está em R$ 6 trilhões, com 2% de taxa de juros ao ano, ou uma dívida de R$ 3 trilhões com taxa a 4%, já que a despesa financeira seria igual se a dívida fosse mantida e a taxa de juros fosse o dobro. “Então, é bom que a taxa de juros seja baixa para que a despesa financeira do País seja menor e para que os agentes econômicos consigam captar dinheiro a taxas mais baixas para financiar seus projetos de forma mais barata”, afirma o professor.

Para as pessoas físicas, porém, a redução na Selic chega de maneira muito lenta, ao contrário do que acontece quando a taxa de juros é elevada pelo governo. Em termos de uso de crédito, a redução da Selic não chega à população, mas sim às grandes empresas que de fato captam dinheiro a uma taxa ligeiramente maior que a Selic, como explica Paschoarelli. “A inflação mais alta comeu a renda do trabalhador e essa perda não vai ser reposta no curto prazo. O efeito na renda não é episódico, tem uma permanência de meses ou anos. O Banco Central chegou atrasado e não é o que o mercado queria”, conclui. 


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