Eleições municipais foram vencidas pela “direita mais tradicional”, diz professor

A constatação é de Lincoln Secco, ao fazer um balanço geral do resultado das urnas; segundo ele, o Centrão e partidos como PSD e MDB devem lançar candidaturas de direita como alternativas a Bolsonaro em 2022

 30/11/2020 - Publicado há 1 ano

Após o segundo turno das eleições municipais de 2020, um balanço geral confirma uma “alavancada” dos partidos que fazem parte do Centrão. Entre eles, estão o PP, que foi o 2º partido com maior número de prefeituras no Brasil, e o PSD, em 3º lugar. Com mais prefeituras ficou o MDB, mas com certo encolhimento em relação a 2016. O PT também teve uma queda, sem nenhum representante em capitais pela primeira vez desde a redemocratização. 

Em entrevista ao Jornal da USP do Ar de hoje (30), o professor do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Lincoln Secco, explica que é difícil medir a força do bolsonarismo para a próxima eleição a partir da recente. A política brasileira ainda é feita por meio de forças partidárias e, como o atual presidente não tem partido, é difícil ter candidatos que possam representá-lo, explica o professor. Também diz que, ainda que muitos apoiem o presidente, os partidos do Centrão “não são exatamente o bolsonarismo em termos partidários”. 

Sobre a derrota de grande parte dos prefeitos apoiados por Bolsonaro, Secco não vê o apoio do presidente como uma causa direta de suas derrotas. Acredita que os contextos locais têm mais peso nas eleições municipais e que não é tão simples a transferência de apoio por figuras nacionais a candidatos locais. O especialista destaca uma queda notória do bolsonarismo em São Paulo.

Secco acredita que, no balanço geral, quem venceu a eleição foi a “direita mais tradicional”, representada pelo Centrão e por partidos tradicionais como PSD e MDB. Segundo ele, esse grupo deve lançar candidaturas de direita como alternativas a Bolsonaro em 2022. Sobre uma possível reeleição, o professor pontua que a situação do presidente é complicada, pois ele teria que se ligar novamente a algum partido para ganhar força, talvez algum dentro desse grupo da direita tradicional. Porém, ao se ligar a um desses partidos, Bolsonaro iria contra o seu discurso antissistêmico e antipolítico que o tornou popular, afirma o especialista.

Em relação à esquerda, Secco acredita que o PT está com sua força caindo desde 2016, se comparado a 2012. Comenta que o PT é um partido de mais força no interior que nas capitais, principalmente no Nordeste. Para ele, a candidatura de Guilherme Boulos em São Paulo trouxe uma figura de um representante de movimentos sociais, com o apoio da ex-prefeita Luiza Erundina, que ganhou força nacionalmente para uma possível candidatura para presidente, mas sofre pelo fator de que o PSOL ainda é uma sigla pequena. No geral, Secco afirma que os partidos de esquerda não cresceram desde 2016, mostrando uma situação “estacionária e fragmentada”. 


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