Eleição municipal com novas regras será teste para políticos

Para Glauco Peres, os políticos estão demorando para definir estratégias de campanha em meio às recentes mudanças

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou em dezembro de 2019 novas regras para as eleições deste ano. O objetivo é tornar mais rígidas as resoluções, a fim de evitar a propagação de conteúdos falsos durante as campanhas municipais. Foram estabelecidos, por exemplo, procedimentos de segurança e fiscalização, novas regras para propagandas na Internet e financiamento de campanha. Além disso, os candidatos enfrentarão na disputa para as prefeituras e câmaras municipais o debate sobre a atual crise na economia global, que impacta o Brasil, principalmente nos grandes centros, como São Paulo. 

“As eleições de 2018 reorganizaram o sistema político-partidário no Brasil, que vai ter um teste agora [em 2020], mas que está longe de ficar claro para onde vai. Os políticos estão demorando para saber quais estratégias adotar e as incertezas econômicas só agravam esse quadro”, analisa Glauco Peres, professor do Departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, em entrevista ao Jornal da USP no Ar.

Foto: José Cruz / Agência Brasil via Fotos Públicas

Segundo Peres, a vitória de Bolsonaro na eleição de 2018 mostrou que as estratégias de campanha são outras, especialmente pela reação diferente do eleitor com influência da Internet. Para ele, as mudanças na justiça eleitoral tentam, de alguma maneira, controlar esse processo. “Mesmo que se consiga controlar, os políticos não sabem como ocupar esse espaço. [Nós, analistas] não sabemos dizer se o eleitor reagiu a essa mudança na Internet por causa de um clima de insatisfação com a esquerda e os governos petistas, ou se é uma guinada permanente à direita que Bolsonaro deu.”

Dentre as mudanças, algo que já era esperado foi o estabelecimento de um limite menor para autofinanciamento de campanhas. Nesta nova eleição, também será permitido o impulsionamento de propaganda na Internet, autorizada inclusive para ser feito por empresas. “Talvez a mais importante mudança é a ampliação da quantidade de recursos utilizados pelos políticos do Fundo Eleitoral, que depende do orçamento deste ano”, aponta Glauco Peres. Em meio às mudanças, uma nova modalidade estará em vigor em 2020: a não coligação de partidos para vereadores, apesar de continuar valendo para prefeitos. “Cada partido vai concorrer sozinho, os votos passarão a contar para os candidatos do partido e não mais de um grupo de partidos diferentes.”

Ouça a entrevista completa no player acima.


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