Dólar, inflação e juros estão em níveis inéditos para Brasil

De acordo com Simão Silber, País está saindo da recessão, apesar de o crescimento não ter ritmo ótimo

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Semana passada, a moeda norte-americana atingiu um patamar histórico, ao chegar a quase R$ 4,24. A valorização do dólar frente ao real moveu não só a opinião pública, mas o bolso do consumidor, especialmente no referente ao preço da carne. Segundo a Petrobras, a gasolina já subiu 28%. O professor Simão Silber, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), informa que a empresa anuncia, hoje (4), reajuste de 2% no diesel, resultando no acumulado de 21,3% no ano.

Por outro lado, o economista aponta que, apesar de modesto, o crescimento de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no último trimestre foi uma boa surpresa. O mercado esperava algo em torno de 0,4% ou 0,5% para o período. “Tudo se encaminha para um crescimento por volta de 2,5% ano que vem”, analisa no Jornal da USP no Ar. Para ele, as variações do câmbio não devem ter grande impacto na inflação. Incorporando um dólar de R$ 4,20 para 2020, os cálculos indicam uma taxa inflacionária entre 3,80% e 3,85% .

De acordo com o especialista, os produtos afetados pela moeda norte-americana apresentam reações imediatas, como mostram os preços de certos alimentos e do combustível. O diesel tem impacto maior, pois o transporte de cargas brasileiro é dependente do modal rodoviário, cujo custo depende do óleo.  “O câmbio tem impacto naquilo que é exportado ou importado”, explica. Atualmente, o setor externo representa 12% da economia.

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Outro índice inédito no Brasil é a taxa básica de juros, a Selic está na casa dos 5%, com possibilidade de chegar aos 4,5%, segundo o governo. Assim, o juro real fica nas proximidade de 1%. Silber esclarece que esse contexto espanta o especulador estrangeiro, que alocava dinheiro no Brasil para arbitrar juros. Isto é, usava da diferença das taxas para fazer seu capital render. Além disso, o crescimento da economia dos EUA atrai capital dos investidores.

“Sem crescimento não há emprego”, aponta o professor. Segundo ele, o desemprego é a principal mazela do Brasil. Somados subempregados e desalentados, são 25 milhões de brasileiros na situação. Na história moderna do País, desde 1900, nunca houve cinco anos de tamanha apatia econômica como agora. O cenário conturbado proporcionado pelo governo nas pautas ambientais, religiosas e de gênero são entraves à economia, para Silber.  Porém, impulsionados pelo setor privado, os indicadores expõem um caminho razoável para “sair do buraco”. 

Ouça a entrevista na íntegra no player acima.


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