Doenças relacionadas ao tabaco têm alto custo humano e financeiro

Apesar de saber das consequências, dificuldade em abandonar cigarro persiste por ação da nicotina, diz médico

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Foto: Visualhunt

31 de maio é o Dia Mundial Sem Tabaco. A data foi criada em 1987 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para alertar sobre as doenças e mortes evitáveis relacionadas ao tabagismo. O tema deste ano é “Tabaco e Saúde Pulmonar”, já que o consumo do produto é responsável por 65% de todos os óbitos por câncer de pulmão na região das Américas, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). São 428 mortes por dia, 156 mil ao ano, que poderiam ser evitadas caso o uso do tabaco fosse eliminado, 12,6% do total brasileiro. Os números são do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

“Com a maior eficiência dos meios de comunicação hoje, quase ninguém não ouviu falar que cigarro faz mal, de uma forma geral. O tabaco é o grande causador de enfisemas pulmonares e bronquites crônicas. Mesmo passando mal, as pessoas não conseguem abandonar o hábito de fumar. A nicotina é uma das substâncias que mais causam adicção”, explica o pneumologista Chin An Lin, do Ambulatório da Clínica Geral do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina (FM), ao Jornal da USP no Ar.

Essa dependência é ligada a fatores genéticos e a um sistema de recompensa, devido às tentações proporcionadas pela droga, explica o médico. Ao tragar, a pessoa, embora inicialmente sinta certo desconforto e enjoo, sente um prazer fugaz e relaxamento. Assim, há também uma adicção comportamental, visto a associação do tabaco com sensações positivas. A medicina, hoje, oferece soluções a essa dependência, a exemplo da reposição da nicotina por outras vias, desassociando a substância do hábito de fumar.

Existe uma série de iniciativas públicas no sentido de limitar o consumo de cigarro. A lei 12.546, de 2011, por exemplo, proíbe cidadãos de fumar em locais fechados, mesmo que parcialmente. Lin elogia a medida, uma vez que “se a pessoa encontra dificuldades para fumar no dia a dia, acaba por parar. Fora isso, diminui a exposição de não fumantes ao tabaco. Os chamados fumantes passivos têm 30%  a mais de chance de desenvolver câncer de pulmão”. O professor ressalta a importância da tributação do tabaco, pois, além de restringir o consumo da população mais vulnerável à droga, gera um retorno ao sistema público de saúde, bastante onerado pelas doenças crônicas relacionadas ao tabagismo.

Políticas por si só não bastam, em razão da dependência comportamental. O professor lembra, então, dos tratamentos comportamentais. “O tratamento contra a adicção em tabaco apenas começa quando o próprio paciente percebe a necessidade de parar. O que chamamos de período pré-contemplativo”, declara o pneumologista. O acompanhamento por profissionais da saúde, como psicólogos, também é fundamental nessa questão. “Até os amigos podem dar um suporte diferencial. A família também tem que contribuir. Às vezes, a pessoa quer parar, mas seu cônjuge, também tabagista, não tem a mínima vontade, dificultando todo o processo”, finaliza.

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