Doenças graves ficam em segundo plano por conta da covid-19

Segundo estimativas, quase 50 mil brasileiros deixaram de ser diagnosticados e milhares de pacientes já diagnosticados com câncer tiveram tratamento suspenso

 18/05/2020 - Publicado há 2 anos  Atualizado: 04/06/2020 as 9:58

No Brasil, além da preocupação da subnotificação de casos relacionados à pandemia, há uma outra preocupação indireta que ocorre devido ao coronavírus: a ausência de diagnósticos de doenças, especialmente a de pacientes com câncer. Estimativas da Sociedade Brasileira de Patologia e de Cirurgia Oncológica apontam que quase 50 mil brasileiros deixaram de ser diagnosticados e milhares de pacientes já diagnosticados com tumores tiveram seus tratamentos suspensos.

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, a doutora Maria Del Pilar Estevez Diz, chefe da Oncologia Clínica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), comenta que “quando existe uma pandemia dessa proporção, que utiliza muitos recursos do sistema de saúde, você acaba utilizando todos os profissionais, muitos médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e todo o conjunto para se dedicar ao que é mais urgente, que é salvar as vidas das pessoas que estão ficando doentes neste momento, e muitos procedimentos de rotina acabam sendo cancelados ou postergados”.

A doutora explica que também há o próprio medo dos pacientes de irem aos hospitais e serem contaminados pelo vírus. Com isso, diagnósticos e procedimentos são deixados de lado. Com o câncer, uma doença que apresenta taxas maiores de cura quando o paciente é diagnosticado precocemente, esta ausência causa problemas tais como a progressão da doença, uma taxa menor de cura e complicações que poderiam ter sido evitadas se o diagnóstico tivesse sido feito no prazo correto.

Maria ressalta a importância dos serviços de saúde estarem trabalhando para manter instituições livres da covid-19 para dar o atendimento correto em casos graves, mas enfatiza a importância das pessoas também se protegerem, usando mascaras de proteção, praticando o isolamento social, para que elas possam ir aos serviços de saúde para dar início ou continuar o tratamento.

Ouça a entrevista na íntegra no player acima.


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