Discutir formação de novos professores de ciências é primordial

Dos professores que lecionam física no Brasil, apenas 20% têm formação na área, aponta especialista

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A 14ª edição do Encontro do Programa de Pós-Graduação Interunidades em Ensino de Ciências (Piec) da USP, realizada nesta semana, discute os Desafios Atuais para a Formação Inicial de Professores de Ciências. O tema deste ano emerge das discussões relacionadas à interação universidade-escola, tendo como foco o papel da formação inicial dos professores de ciências. O palestrante convidado, professor Arthur Galamba, do King’s College London, descreve como os professores-estudantes de ciências são selecionados e educados na Inglaterra. O Jornal da USP no Ar conversa com o professor Galamba e com o professor André Machado Rodrigues, do Instituto de Física (IF) da USP, a fim de trazer um panorama das discussões levantadas nos dois primeiros dias do encontro.

“Dos professores que lecionam física no Brasil, apenas 20% têm formação na área”, indaga o professor do IF sobre a realidade do ensino de ciências no País. Quando a análise é feita por Estado, os números tornam-se ainda mais preocupantes. Na Bahia, por exemplo, somente 10% dos professores que lecionam física possuem o curso de licenciatura na área.

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

O professor Galamba comenta que o PiBid, Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência, foi um grande avanço na formação de novos professores. Mas ele pondera que “virar professor não é uma tarefa simples”. Os professores-estudantes necessitam de apoio, completa. No caso britânico, os estudantes de licenciatura são acompanhados e tutorados no início do magistério – algo semelhante ao sistema de monitoria brasileiro.

A falta de estrutura e cultura científica no ensino médio é um fator prejudicial na formação dos novos docentes. O professor  Machado Rodrigues diz que a maioria dos estudantes do IF não tiveram aulas laboratoriais durante o ensino médio. Outro desafio para o professor é “saber criar oportunidade para que todos os alunos na sala de aula consigam aprender”, expõe Galamba. Essa habilidade é indispensável para não afastar os estudantes das ciências exatas.

Por fim, ambos os professores reconhecem o papel da família como sendo determinante no desenvolvimento escolar dos jovens. A participação mais intensa da família, bem como a maior imersão do professor na vida escolar, resultariam em um ganho extraordinário para a educação no Brasil.

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