Dificultar entrada de mulheres em universidade preserva “status quo”

Renato Janine fala do caso da universidade japonesa que fraudou notas de mulheres para impedi-las de cursar medicina

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Um escândalo na Universidade de Medicina de Tóquio, no Japão, foi divulgado na última semana: as notas das mulheres eram fraudadas com o objetivo de impedi-las de entrar no curso. A justificativa seria que elas abandonariam a carreira com o casamento e a maternidade. É este o tema da coluna desta semana do professor Renato Janine Ribeiro. O colunista considera o caso gravíssimo. “É uma espécie de cota para homens, mas no sentido negativo: foi usada para preservar o status quo (o estado atual das coisas) e não para romper com ele”, destaca.

Para o professor, podemos perceber que as pautas machistas e de outros preconceitos ainda são muito fortes e aparecem muito. E lembra o caso ocorrido com a professora Marilena Chauí, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP: grávida do primeiro filho, teve de ouvir de um professor mais velho se ela optaria pela maternidade ou pela carreira acadêmica.

“No caso de Tóquio, certamente punições são necessárias, um pedido solene de desculpas. E o que mais pode ser feito? Não sei, porque as pessoas foram prejudicadas, talvez para sempre. Houve mulheres que deixaram de se tornar médicas porque as notas foram fraudadas. Mesmo que haja indenizações ou compensações, o dano está feito, é terrível e irreversível. É isso que devemos evitar no futuro.”

Ouça, no link acima, a íntegra da coluna Ética e Política.

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