Diagnóstico de diabete e doença renal será facilitado

Paulo Lotufo diz que incidência de doenças renais apontada por novo marcador surpreende

Até o momento, os exames para detectar diabete e doença renal seguiam padrões internacionais. Mas isso mudou desde que foram criados marcadores bioquímicos brasileiros, ou seja, parâmetros nacionais para valores de referências laboratoriais que já foram aplicados em cerca de nove mil domicílios. Paulo Andrade Lotufo, professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP, falou ao Jornal da USP no Ar sobre os benefícios dessa pesquisa.

O médico explica que há alguns fatores de risco para o surgimento de doenças cardiovasculares e câncer, entre eles, tabagismo e hipertensão. No entanto, o processo de envio do sangue coletado para laboratórios especializados é muito complexo, o que atrasa o diagnóstico. Agora, será detectado mais facilmente o número de pessoas que apresentam problemas como a diabete e a perda da função dos rins.

A prevalência da diabete não foi uma surpresa para o médico, pois esta é correlacionada à obesidade e seu aumento é um fato. O que surpreendeu foi a frequência da doença renal, que exige um tratamento de diálise ou, em alguns casos, transplante.

Cerca de 250 mil pessoas realizam diálise no Brasil, ou seja, fazem, em hospitais, a remoção de impurezas que o rim não consegue fazer. Outra solução para o problema seria o transplante renal, que possui número limitado de doadores. O custo do Sistema Único de Saúde (SUS) para manter o tratamento dos pacientes custa em torno de 3% a 4% do orçamento total. É um valor muito alto, então, saber as causas ajudará a elaborar melhores propostas de prevenção.

Em algumas partes do País, como nas regiões Norte e Nordeste, a incidência da doença renal é comprovadamente maior, o que pode ser observado pelo alto número de pessoas em tratamento. A criação dos novos marcadores abrirá janelas para outras investigações.

Ouça a entrevista no player acima.


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