Desmatamento na Amazônia: do alerta de cientistas à crise geopolítica​

Nos últimos dias, o mundo se voltou à Amazônia de forma poucas vezes vista. O combustível foi a soma de uma retórica dura do governo contra a proteção ambiental e seus atores, traduzida em políticas (ou no desmonte delas); ataques ao próprio mensageiro, isto é, o INPE, instituição científica que trouxe a notícia do aumento do desmatamento; e, principalmente, a própria floresta, que apareceu ardendo em chamas nos noticiários globais, gerando reação desde os líderes dos países até celebridades. Mas não se trata de notar a importância da floresta só agora, como acusam alguns. O alerta sobre o desmatamento vem sendo feito há décadas, não só pelo “pessoal de ONGs”, mas também por quem pesquisa a fundo suas consequências.  Reunimos as notícias mais recentes produzidas por Jornal da USP e Rádio USP, começando por uma entrevista com o professor da USP Pedro Luiz Côrtes, especialista em Meio Ambiente e Sustentabilidade, que nos traz um mapa para entender a atual crise, convertida em questão geopolítica.

A quantidade de queimadas na região amazônica repercutiu muito esta semana. Na segunda-feira, uma chuva atípica mostrou que a fumaça proveniente dos focos de incêndio já estava atingindo a Região Sudeste, indicando a extensão do problema. Em resposta, o presidente Bolsonaro disse que “pode estar havendo, pode, não estou afirmando, a ação desses ‘ongueiros’ para chamar a atenção para minha pessoa (sic)”. E completou: “foi para lá o pessoal [de ONGs] para filmar e depois tacaram fogo (sic). Esse é o meu sentimento”. Nesta sexta-feira (23), a presidência francesa anunciou: “O presidente Bolsonaro decidiu não respeitar seus compromissos climáticos nem se comprometer com a biodiversidade” e, assim, a França se opõe ao acordo com o Mercosul. O governo finlandês já recomendou o banimento da importação de carne brasileira à União Europeia (UE).

Confira nos vídeos o que a ciência vem dizendo sobre região amazônica

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