Desmatamento e modais de transporte são pautas da agenda ambiental

Especialista discute os temas ambientais que mais geraram repercussão na última semana

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Esta semana, dois assuntos ganharam destaque na agenda ambiental. O primeiro sobre o desmatamento, especialmente na Amazônia. O futuro ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse em entrevista que pretende fazer um levantamento para qualificar o desmatamento, verificando se ele ocorre dentro dos 20% permitidos em propriedades rurais privadas ou se ele ocorre em terras públicas, reservas legais ou reservas indígenas. Outro assunto foi a Pesquisa Origem Destino, realizada pelo Metrô de São Paulo. Ela mostra que em dez anos houve um crescimento de 424% no uso de táxis e de serviços de carros por aplicativos. Para falar sobre ambos os assuntos, o Jornal da USP no Ar conversou com Pedro Luiz Côrtes, professor da Escola de Comunicações e Artes e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental (Procam) do Instituto de Energia e Ambiente da USP, e do Projeto Temático Fapesp Governança Ambiental da Macrometrópole Paulista face à Variabilidade Climática.

Côrtes explica que a proposta do novo ministro já vem sendo realizada. Em setembro deste ano, uma portaria do Ministério do Meio Ambiente determinou procedimentos para identificar as áreas desmatadas com autorização do órgão ambiental. Para ele, o problema está na situação fundiária da Amazônia. “Às vezes, uma pessoa apresenta o título de propriedade de uma determinada área, mas isso vem sendo contestado por uma outra pessoa, ou pelo governo”, explica. Com isso, o simples levantamento da documentação dessas áreas já se torna algo complexo. Contudo, ele ressalta a necessidade dessa iniciativa, uma vez que ajudará na orientação dos trabalhos de campo de fiscalização dessas áreas de desmatamento.

Montagem com fotos de: Marizilda Cruppe – Divulgação/Greenpeace; Marcos Santos/USP Imagens e Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Com relação à recente pesquisa realizada pelo Metrô de São Paulo, o professor explica que, ao longo dos últimos dez anos, tem caído o número de usuários de ônibus e aumentado o deslocamento em metrô e trem metropolitanos. Entretanto, o crescimento maior tem sido o de usuários de táxi e de transportes por aplicativos. Para ele, isso evidencia que a população não está encontrando no transporte público uma solução adequada para suas necessidades. “Que isso sirva de alerta para os governantes, no sentido de melhorar a qualidade do transporte público, para que as pessoas não precisem recorrer tanto ao automóvel”, destaca.

Ainda de acordo com Côrtes, ambientalmente a melhor solução para a questão do transporte em grandes cidades seria o aumento da utilização de trem ou metrô, por usar matriz elétrica, já que boa parte dessa matriz no Brasil é de origem considerada limpa. Ainda que o aumento no uso de transportes por automóveis por aplicativos não seja ideal, essa prática também diminui a compra de automóveis pela população, “aquele veículo fica sendo compartilhado ao longo do dia”. Já o modal bicicleta não registrou crescimento significativo pelo fato de a pesquisa ter sido realizada no período dos últimos dez anos, enquanto o crescimento desse modal é mais recente. Ainda assim, o professor lembra que essa tendência vem cada vez mais se intensificando.

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