Desmatamento da Amazônia coloca em risco várias espécies de aves

Entre as 1.500 espécies de aves presentes na floresta, algumas já correm risco real de extinção, alerta especialista do Inpa

O programa Ambiente É o Meio desta quarta-feira, 29 de julho, conversa com o ornitólogo e especialista em aves amazônicas, Mario Cohn-Haft, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), sobre a preservação dos pássaros na Amazônia e o desmatamento. Cohn-Haft descreve o atual momento da Amazônia, com a aceleração das taxas de desmatamento, como decepcionante, “para não dizer desesperador”. O movimento conservacionista, segundo o pesquisador, adotou boas práticas de uso de terra na Amazônia, com uma visão a longo prazo e de sustentabilidade, mas o desmatamento piorou tudo e, “nos últimos tempos, é um enorme retrocesso”.

Mario Cohn-Haft, pesquisador titular das coleções ornitológicas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) – Foto: Arquivo pessoal

Cohn-Haft alerta para o fato de a Amazônia possuir 15% das espécies de pássaros do mundo e, mesmo com o chamado desmatamento fragmentado (quando partes da floresta ainda continuam intactas), essas espécies podem não sobreviver. “Se o pedaço da mata que sobrou não tiver um bom tamanho, vamos perder a maioria das espécies típicas, porque ele não vai sustentar populações normais e saudáveis das espécies que dependem de floresta.” Ele destaca que “um pedacinho de floresta, isolada por um desmatamento em volta, não é uma mata contínua, que é o necessário para manter o ecossistema normal”.

O desmatamento se torna ainda mais perigoso para as aves porque “elas são muito sensíveis ao tipo de ambiente em que vivem”. Embora algumas espécies consigam se adaptar, “a preferência dos pássaros por um ambiente é uma característica evoluída ao longo do tempo, que não muda de um dia para o outro”. Os efeitos da presença do homem na floresta, como o desmatamento, a construção de estradas e a exploração de terras influenciam diretamente em uma possível adaptação das aves, avalia o pesquisador. “Cada fisionomia de ambiente criado pelo ser humano propicia, ou não, a colonização de um ambiente por algumas espécies.”

Cohn-Haft explica que a característica do território heterogêneo, com diferentes tipos de ambientes, também contribui para o risco a algumas espécies. Além disso, os grandes rios delimitam as distribuições de espécies de aves na floresta, ou seja, cada interflúvio, que é o espaço entre grandes rios, tem um conjunto de espécies de pássaros diferente. “Isso faz com que a maioria das espécies que vive na Amazônia não esteja em toda a floresta. As espécies têm distribuições restritas dentro dessa enorme bacia.” O pesquisador explica que isso é um enorme perigo. “Tem espécies que só ocorrem nas partes mais desmatadas da Amazônia. E essas espécies já estão no rol das mais ameaçadas, à beira da extinção.”

Ouça no player acima a íntegra do programa Ambiente É o Meio.


Ambiente é o meio

Apresentação: Professores Marcelo Marine Pereira de Souza e José Marcelino de Resende Pinto (ambos professores da FFCLRP)
Coordenação: Rosemeire Talamone
Produção: Marcelo Marine Pereira de Souza e José Marcelino de Resende Pinto (ambos professores da FFCLRP)
Edição Geral: Cinderela Caldeira
Edição Sonora: Mariovaldo Avelino e Luiz Fontana
E-mail: ouvinte@usp.br
Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 107,9; ou Ribeirão Preto FM 107.9, ou pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS .
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