Desigualdades sociais dificultam combate ao novo coronavírus no Brasil

Segundo o professor Domingos Alves (FMRP), características de cada país podem fazer diferença e exigir outras estratégias no combate ao coronavírus

Desigualdade social | Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

O novo coronavírus pode estar se propagando no Brasil muito mais rapidamente do que se projetava no começo do mês. Essa é uma das conclusões a que chega uma nota técnica assinada por sete pesquisadores brasileiros, sendo quatro da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), dois da Universidade de Brasília (UnB) e o professor Domingos Alves, do Departamento de Medicina Social da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.

A nota técnica foi divulgada na última quarta-feira, dia 25, e traz considerações importantes sobre a doença covid-19 no Brasil. Os pesquisadores alertam que as medidas restritivas adotadas em diversos países e baseadas em estudos científicos vêm dando resultados concretos. Mas, alerta o professor Alves, que características de cada país podem fazer diferença e pedir outras estratégias.

Como a velocidade de propagação do vírus é uma das principais dificuldades para o combate à pandemia, Alves diz que os epicentros da propagação devem ser levados em conta. Afirma, por exemplo, que países como Estados Unidos e Brasil têm uma característica diferente dos demais países, porque possuem mais de um epicentro (hub) de propagação do vírus. No Brasil, a nota técnica considera Rio, São Paulo e Brasília como focos de propagação para outras cidades e regiões. O professor inclui Fortaleza nesse rol.

Alves alerta também para as desigualdades sociais existentes no Brasil, que devem ser levadas em conta por estudiosos e autoridades nas políticas de combate ao novo coronavírus. Ele explica que água com sabão é um dos mais importantes procedimentos de prevenção ao novo coronavírus, mas parte expressiva da população brasileira não tem acesso a água encanada e tratada.

No destaque ao efeito da mobilidade entre cidades na propagação do vírus, o professor cita ainda outro fato que deve ser levado em conta, o de que nem todos os Estados brasileiros adotaram a quarentena, o que pode prejudicar o combate ao vírus.

Ouça a entrevista no link acima. Já a nota técnica está disponível para consulta no site da UFRJ.

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