Desigualdades afetam Índice de Desenvolvimento Humano do Brasil

Fernando Coelho diz que, apesar de o País estar como “alto” na escala, perde posições quando aplicado o redutor do efeito de desigualdade

Desigualdade social  Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Foi divulgado no programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento o novo ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), em que o Brasil ficou na 79ª posição. São considerados indicadores de saúde, educação e renda, sendo definidos em uma escala que vai de zero a um. O País alcançou o valor de 0,771, apresentando leve queda em relação ao ano anterior. Entre os países sul-americanos, o Brasil ficou na quarta posição.

Fernando Coelho, professor de Gestão de Políticas Públicas da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, explica ao Jornal da USP no Ar que o Brasil já segue um padrão há algumas décadas e que, apesar de comparar países, o indicador é também uma alternativa para avaliar Estados e municípios. Além disso, ele é mais sensível a médio e a longo prazo, ou seja, deve-se olhar para a estagnação com cautela e tomar isso como parâmetro para o planejamento de políticas públicas.

O pesquisador explica que a posição do Brasil não é confortável quando comparada à de outros países da América Latina ou até ao Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). O IDH, mesmo comparando cerca de 190 países, levando em conta critérios quantitativos, não diz muito em sua unidade. É preciso considerar a totalidade: pensando na qualidade, por exemplo, a expectativa de vida melhorou, mas a qualidade do serviço de saúde ainda está longe do ideal.

O Brasil se encontra entre os dez países mais desiguais do mundo e tal fator pode ter consequências quando posto sobre o IDH. Isso é chamado de redutor do efeito de desigualdade e, quando aplicado no País, o derruba na escala de alto para médio, chegando ao valor de 0,574 e empurrando o Brasil para a 102ª posição. Outros pontos que podem influenciar no valor são as questões de gênero, étnico-raciais e geográficas.

Não há como considerar o processo puro e simples do crescimento econômico se não existir um combate à desigualdade. Em um curto prazo, o País está buscando sair do anticiclo econômico e retomar o crescimento da economia, que impactaria positivamente no padrão de vida da população. No entanto, não se pode descuidar da questão estrutural, da educação e saúde, por exemplo. É preciso ir além de aspectos quantitativos e pensar nos qualitativos.

Ouça a entrevista no player acima.


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