Desenvolvimento sustentável deve ser orientado por direitos humanos

Especialistas discutem resultados de relatório científico que mostra relação entre mudanças climáticas e pobreza

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Concluindo a série sobre os 17 ODS, os temas da última conversa são promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis, além de fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável. Para isso, o Jornal da USP No Ar conversou, como sempre tem feito nesta série, com o professor Marcos Buckeridge, coordenador do Programa USP Cidades Globais do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, e com a especialista convidada, a pesquisadora Patrícia Pinho, co-autora de um dos capítulos do 1,5 ºC do IPCC.

A pesquisadora conta como foi escrever um capítulo que trata sobre desigualdades na área de um desenvolvimento sustentável. “Nesse relatório, a inovação se deu muito por conta da integração entre as dimensões mais sociais e de uma forma mais explícita das mudanças climáticas”, afirma Patrícia. Em suas análises, ela mostra que as regiões do hemisfério sul — e no contexto brasileiro, a região nordeste — são os locais que mais sentem os impactos das mudanças climáticas. Além do mais, o capítulo buscava se distanciar de um tom político favorável a qualquer campo, trazendo conclusões científicas que mostram a necessidade de ações pautadas nos direitos humanos. “Uma das primeiras conclusões é: os direitos humanos estão extremamente associados à pobreza e também à desigualdade socioeconômica”.  

Foto: Wikimedia Commons

A partir disso, uma das projeções é de que os impactos das ações climáticas, seja por qual meio for, afetam de maneira mais forte as comunidades mais vulneráveis, localizadas especificamente no hemisfério sul. “Isso afeta a viabilidade dessas pessoas de se ter uma vida — vamos dizer — mais digna. As pessoas estão passando de um ponto de viver bem para sobreviver”, afirma a pesquisadora.

O professor Buckeridge ressalta que muitas pessoas já sofrem por conta dessas mudanças e que é necessário se pautar sobre os direitos humanos. “Não é uma questão de esquerda, direita ou centro da política. É uma questão de que pessoas vão morrer, não terão o que comer, não terão onde plantar. A preocupação é esta”. Consequentemente, há um fluxo de migrações de pessoas, evidenciado também no capítulo. “Já existem evidências associando, por exemplo, secas extremas e recorrentes, inviabilizando a permanência de grande parte da população, forçada a deixar suas áreas”, afirma Patrícia, que denomina essas pessoas de “refugiados climáticos”.

Tais aspectos de migração forçada vão de encontro com as grandes cidades devido à busca e o acesso a alguns serviços. Segundo o professor Buckeridge, isso aumenta um processo de urbanização desorganizado, no qual as cidades não estão prontas para receber essas pessoas.

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