Derretimento das geleiras da Groenlândia passou do ponto de reversão

Segundo Pedro Luiz Cortês, a perspectiva de solução é minimizar os efeitos dos eventos climáticos, como, por exemplo, reduzindo a emissão de dióxido de carbono na atmosfera

Relatório publicado pela Sociedade Americana de Meteorologia mostra que a década de 2010 a 2019 foi a mais quente da história, e o ano passado foi o terceiro mais quente, perdendo apenas para 2016 e 2015. Os gases do efeito estufa da atmosfera estão no nível mais alto já registrado desde o início da série histórica, há 140 anos. Outro estudo, desta vez  publicado pela Nature Communication Earth Environment, mostra que as geleiras da Groenlândia passaram de um ponto de volta. A cada ano, a queda de neve que repõe o manto de gelo não consegue mais contrabalançar o gelo que flui das geleiras para o oceano. Aqui no Brasil, a região do Pantanal sofre com uma seca histórica que contribui ainda mais para  o avanço das queimadas.

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, Pedro Luiz Côrtes, professor do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEE), compartilha que as mudanças climáticas que estão acontecendo em todo o globo se sobrepõem a fenômenos naturais, como o El Niño, La Niña e a oscilação do Canal do Pacífico: “Esses eventos em escala mundial se sucedem em diferentes locais, eles são uma amostra, uma evidência muito clara, de que o clima já não está se comportando da mesma forma como ele se comportava em décadas anteriores.”

Mas, afinal, é possível reverter a situação? De acordo com Côrtes, não se trabalha mais com a perspectiva de reversão, mas, sim, de adaptação, isso porque os gases do efeito estufa, tal qual o dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4), não são facilmente absorvidos: “Nós temos um problema muito sério, porque o CO2, que é lançado na atmosfera, demora muito tempo para decair, para que ele perca seu efeito e seja reabsorvido pelos sistemas naturais, então, o CO2 lançado na atmosfera permanece por muitos e muitos anos na atmosfera”.

No Brasil, o desmatamento da Amazônia coloca em risco a sustentabilidade do bioma, podendo causar o processo de savanização de boa parte da floresta. O papel do Brasil no combate ao desmatamento, segundo Côrtes, vinha sendo desempenhado, porém, esse processo se perdeu nos últimos anos: “O Brasil vinha desenvolvendo uma série de programas ambientais, com o uso de energias limpas, combate aos desmatamentos, combate às queimadas, mas, ao longo dos últimos anos, mostra que isso está se perdendo. E não só os dados do Inpe em relação ao desmatamento, mas também a declaração de agentes governamentais, seja do presidente, seja do ministro do Meio Ambiente, de outros políticos que se mostram lenientes com o que vem acontecendo na Amazônia”. 

Ouça a entrevista na íntegra no player acima.


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