Debates promovem consciência crítica nos eleitores

Apesar de efeito positivo, eleitor precisa atentar para manipulação de informações e discursos enganosos

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Os debates televisivos entre candidatos são prática comum na política brasileira. Para que as mensagens dos concorrentes cheguem à população, é preciso dominar a retórica e a argumentação. A coordenadora do Grupo de Estudos de Retórica e Argumentação (Gerar) da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e professora do curso de pós-graduação Retórica e Direito Internacional e Comparado da Faculdade de Direito da USP, Lineide do Lago Salvador Mosca, conversou com o Jornal da USP no Ar sobre o modelo de debates televisivos e a performance nos discursos dos candidatos.

Os debates são um instrumento da democracia e permitem que os cidadãos conheçam as propostas e pautas defendidas pelos candidatos e adquiram consciência crítica. Porém, a professora explica que a boa retórica e argumentação, elaborada pelos ensinamentos de Aristóteles, pode ser interpretada de maneira errada. Não consiste em um discurso pomposo, mas naquele capaz de realizar uma articulação adequada das ideias a serem comunicadas. Ainda comenta sobre a possibilidade de outros formatos, como a entrevista e sátira política, e o uso da ironia e do sarcasmo, que podem ser mal compreendidos pelo público e que, por isso, devem ser utilizados nos locais que demandam esse tipo de enunciação.

Foto: RedeTV via Fotos Públicas – CC

Apesar de promover benefícios à população, os debates competitivos, feitos pela televisão, se tornaram engessados e pouco dinâmicos, na visão da especialista. Lineide ressalta outros pontos negativos: a construção da imagem do candidato como um produto à venda, a tentativa de desqualificação entre os concorrentes e a necessidade do público se defender contra a manipulação de informações e discursos enganosos. Para a professora, as pessoas já se mostraram capazes de notar as evasivas dos candidatos e os recursos de falsa modéstia e euforia.

Lineide também analisa a construção da reputação dos políticos pelo marketing, uma imagem de felicidade muitas vezes forçada, diferente da postura de seriedade promovida por outros países. Ela alerta o eleitor quanto ao risco de manipulação pela performance dos candidatos e enfatiza a necessidade da apresentação, a partir da retórica e da argumentação, de um discurso de qualidade, que contribua para o exercício da cidadania.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93,7, em Ribeirão Preto FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

 

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