Curiosidades que fazem o efeito placebo importante para pesquisas

Crenças, hábitos e cultura são fatores que a ciência leva em conta ao estudar o assunto, segundo especialista

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Quem nunca tomou uma água com açúcar para se acalmar? Essa crença popular já fez muita gente de fato ficar mais calma ao tomar o mais antigo placebo de que se tem notícia. A observação é da cirurgiã-dentista Lais Valencise Magri, funcionária da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp) da USP e entusiasta do placebo que ela estuda, inclusive, em seu pós-doutorado.

O placebo é um remédio que não é remédio, ou seja, tem todas as caraterísticas de um medicamento, mas é feito à base de farinha ou açúcar. No entanto, é uma peça fundamental nas pesquisas acadêmicas e usado em testes para avaliação e desenvolvimento de novos medicamentos, procedimentos e terapias, como explica a pesquisadora.

Placebo tem todas as caraterísticas de um medicamento, mas é feito à base de farinha ou açúcar – Foto: Bru-nO via Pixabay / CC0

A importância do placebo é tão grande que ele, associado a alguns fatores, pode levar o paciente a ter resultados positivos. Lais explica que, entre esses fatores, estão a cor e o formato do comprimido placebo. “Cápsulas de placebo coloridas tendem a dar resultados mais positivos no tratamento.” Outro fator importante, segundo ela, é o enfermeiro ou médico usar jaleco branco na hora de dar o medicamento para o paciente tomar.

Outra curiosidade é que as crenças, a cultura de um povo, revelam maior ou menor eficácia do efeito placebo. “Há países da Europa em que a população tem um hábito maior de tomar remédios e sente mais o efeito placebo do que em outros,” explica.

Lais garante que até os animais sentem o efeito placebo e os que bebem além da conta também. “Existe a embriaguez placebo. Pessoas que acreditam ter tomado bebida alcoólica se sentem embriagadas sem ter ingerido a bebida.”

Ouça a entrevista no link acima.

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