Crises de pânico devem ser acompanhadas desde o primeiro episódio

Crises constantes caracterizam a síndrome do pânico, mas estresse pode ser gatilho para ataques isolados

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A síndrome do pânico é um transtorno de ansiedade que apresenta desde um intenso medo e mal-estar até sintomas físicos, como dor de cabeça, calafrios, tremores, tontura e desmaio. O psiquiatra Luiz Vicente Figueira de Mello, do Programa de Transtornos de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, conversa com o Jornal da USP no Ar sobre a doença.

O transtorno é caracterizado pela presença constante de crises que podem diminuir a capacidade do indivíduo enfrentar o dia a dia, diferente do ataque de pânico, que pode ser um acontecimento isolado em uma situação crítica que causa manifestações clínicas, como falta de ar, taquicardia e sensação de morte iminente e de infarto. As crises de pânico são desenvolvidas por fatores biológicos, contudo, situações de muito estresse servem de gatilho para pessoas que possuem uma predisposição para a doença.

Apesar da sensação de morte iminente, as crises de pânico só deixam sequelas psicológicas, como o medo de ter novas crises – a chamada agorafobia -, que faz com que a pessoa passe a evitar lugares nos quais existe uma dificuldade para a prestação de socorro, caso algo aconteça.

A recomendação do doutor Mello é que, na presença de um ataque de pânico, o indivíduo procure controlar a respiração e busque ajuda médica em um pronto socorro, para que outros problemas clínicos sejam descartados. O tratamento é realizado através de medicamentos indicados por um psiquiatra e através de Psicoterapia Cognitiva Comportamental (TCC), recomendada especificamente para esse tipo de transtorno. Os remédios utilizados são antidepressivos, que não levam à dependência. Em alguns casos, são usados tranquilizantes benzodiazepínicos, que possuem ação imediata e que, em caso de má manipulação, podem levar à dependência.

De acordo com o especialista, os casos leves submetidos a tratamento devem desaparecer após seis meses a um ano, os médios necessitam de maior acompanhamento, por cerca de dois anos, e os graves precisam ser tratados por toda a vida devido à disfunção biológica, que provoca recaídas frequentes.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93,7, em Ribeirão Preto FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

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