Crise na Venezuela deve progredir pela via diplomática

Para o professor de relações internacionais, uma solução militar seria desastrosa para toda a região

jorusp

A fronteira entre Brasil e Venezuela foi palco de novos confrontos neste domingo (24), entre manifestantes venezuelanos e militares da Guarda Nacional Bolivariana, obrigando o Exército brasileiro a formar um cordão de isolamento para evitar mais casos de violência como os registrados no sábado, dia da tentativa de envio de ajuda humanitária aos venezuelanos.

O Jornal da USP no Ar entrevistou o professor Kai Lehmann, do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP, para refletir sobre os possíveis desfechos da crise venezuelana. Para o professor, uma solução militar seria desastrosa para toda a região, cabendo, portanto, o caminho da diplomacia. No entanto, os laços diplomáticos da Venezuela estão cada vez mais escassos. Nicolás Maduro – e a cúpula militar que o apoia – mantém boas relações apenas com Cuba e China.

O professor ressalta que não há boas opções para o fim da crise e que, provavelmente, “as coisas vão piorar, antes de melhorar”. Como Maduro não demonstra sinais de que deixará o poder, temos três projeções possíveis na óptica de Lehmann: um conflito interno, implodindo em guerra civil, apesar da cúpula militar ainda apoiar Maduro; a substituição de Maduro por outro líder bolivarianista, pois há pressões internas do chavismo para que isso ocorra, reforçando o autoritarismo na Venezuela; e, por fim, um colapso total aos moldes da Líbia, onde vários grupos controlam diferentes regiões do país.

A oferta de anistia seria o melhor caminho para uma transição mais ordenada e menos danosa, aponta o professor. Com isso, Maduro e sua cúpula poderiam se exilar em Cuba, por exemplo. Porém, para que isso ocorra, os poucos países que apoiam Maduro devem participar da negociação. O que é pouco provável.

O governo brasileiro, em nota, condenou os episódios de violência registrados nas fronteiras do Brasil e da Colômbia com a Venezuela. Para além disso, o Brasil vai defender hoje (25), em reunião do Grupo de Lima que será realizada na Colômbia, que a comunidade internacional aumente a pressão diplomática e econômica contra o regime do presidente venezuelano Maduro.

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