Crise econômica deve ser enfrentada por meio de políticas assistencialistas

Neste momento, diz Wilson Amorim, percebe-se o impacto que a ausência das instituições no mercado de trabalho tem sobre a sociedade e a economia

jorusp

A economia brasileira vem sendo afetada durante a pandemia, especialmente o trabalhador no Brasil. O auxílio emergencial, que gera longas filas para seu recebimento, está sendo suficiente para a manutenção da renda das pessoas? Como o mercado estará depois da pandemia? É sobre isso que o Jornal da USP no Ar conversa com Wilson Amorim, professor do Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP. 

Amorim comenta que, desde 2015, a economia brasileira passa por uma sobreposição de fatores que impactam o mercado de trabalho: a aceleração de uma transição tecnológica, com maior automação; a flexibilização da legislação trabalhista a partir de novembro de 2017; a reforma na Previdência Social; e, por fim, a própria crise, que elevou a taxa de informalidade.

Ele destaca, como consequência desses fatores, a perda de dinamismo na criação de empregos assalariados com carteira. Além disso, houve o crescimento do chamado trabalhador por conta própria, o empreendedor individual. “Observa-se um crescimento no número desses trabalhadores, em torno de 23 milhões de pessoas, quase um em cada quatro trabalhadores ocupados no País”, aponta Amorim. Há também os trabalhadores que não têm CNPJ, ou seja, não estão registrados no controle de arrecadação de impostos, “são autoempreendedores, não são formalizados, e são cerca de 19 milhões de pessoas”, completa. 

O professor aponta que, neste momento de crise, trazida pela pandemia, percebe-se o impacto que a ausência das instituições no mercado de trabalho tem sobre a sociedade e a economia. “É visível a enorme dificuldade que o governo federal tem em mobilizar pessoas, recursos, em estabelecer políticas para atender às necessidades da população em um momento como este, que é receber recursos, estender seu horizonte de sobrevivência a partir do dinheiro que vai receber”, analisa Amorim. 

O economista finaliza dizendo que, para uma situação delicada como esta, é necessário uma visão diferente sobre a economia, em especial com as políticas públicas. Segundo ele, a orientação da legislação aprovada pelo mercado de trabalho em 2017 não serve para este momento, é um bloqueio que o Estado precisa fazer. Apesar de o governo possuir uma orientação liberal e menos assistencialista, ele tem de “gastar o que tiver para garantir a continuidade da sociedade, vão ter de flexibilizar metas fiscais e agilizar o debate, o encaminhamento e o fortalecimento de mais medidas para que o brasileiro absorva minimamente o impacto negativo da crise”, completa. 

Ouça a íntegra da entrevista no link acima.


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