Crime organizado tem a matemática como nova adversária

O estudo da rede criminal como uma rede complexa permite à polícia mais eficiência no combate à criminalidade

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jorusp

Polícias e agências de inteligência em todo o mundo trabalham para encontrar formas eficazes de combater o crime organizado e reduzir a criminalidade. No Brasil, estimativas apontam para redes clandestinas formadas por cerca de 10 mil indivíduos ou mais, atuando em crimes como assalto a bancos, tráfico, pedofilia, fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e corrupção, entre outros. Até bem pouco tempo, a estrutura, robustez, topologia e outras características dessas redes criminais não contavam com a matemática como aliada para entendê-las e propor soluções de controle da criminalidade. Uma realidade que vem mudando. O estudo de redes complexas pode ajudar a enfrentar a criminalidade de uma maneira mais eficiente, apresentando soluções novas para um problema antigo no Brasil. Mas o que são essas redes complexas?

Foto: Fernando Silveira via Flickr – CC

Luiz Gustavo de Andrade Alves, doutor em Física e pós-doutorando do Departamento de Matemática Aplicada e Estatística do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP em São Carlos, explica que a representação da rede criminal como uma rede complexa acontece de forma análoga ao estudo da representação das redes de corrupção sob o mesmo modelo, conduzidas por ele próprio, que analisam a situação no Brasil entre 1987 e 2014. A diferença entre as duas está na base de dados: enquanto  o mapa da rede de corrupção usa como fontes a mídia, redes sociais e documentos judiciais, o estudo da rede criminal é feito através da investigação do registro de ocorrências da polícia. Assim, são estudadas conexões entre indivíduos, como, por exemplo, serem vistos juntos numa mesma cena de crime, e cada nó, ou seja, conexão, aponta para possíveis suspeitos, criminosos ou mesmo testemunhas.

O físico conta que esses dados permitem uma análise gráfica da rede criminal, que levou à percepção de uma relação intercriminal. Alves conta que o tráfico de drogas tem elementos que o associam à pedofilia, e que essa interconexão fornece dados à inteligência da polícia para que possam ser feitos planos de remoção desses nós (conexões) e de combate ao crime organizado e controle da criminalidade.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93,7, em Ribeirão Preto FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

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