Crescimento do empreendedorismo segue tendência do mercado

Para especialista, o movimento traz inovação, dinamismo e criatividade para a economia, além de criar empregos

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O número de microempreendedores individuais (MEIs) no País apresentou forte alta desde o período pré-crise, em 2014, e cresceu 68%. Em agosto deste ano, eram 7,3 milhões de MEIs cadastrados. No mesmo período de 2014, eram 4,3 milhões, segundo dados da Receita Federal. O aumento do trabalho autônomo no período tem relação direta com a evolução do desemprego no País. No trimestre encerrado em julho, dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupação ficou em 12,3%. Em agosto de 2014, era de 6,9%. A deterioração do mercado de trabalho formal faz crescer o processo conhecido como “empreendedorismo por necessidade”.

O Professor Associado da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, Martinho Isnard, explicou que, em períodos de crise, nos quais conseguir emprego torna-se uma tarefa mais difícil, esse tipo de empreendedorismo cresce. No entanto, ele ressalta que esse movimento não se restringe a períodos de recessão econômica. Essa é uma mudança que vem acontecendo na sociedade, o desenvolvimento da tecnologia da informação tem alterado a forma como as pessoas trabalham e isso tem sido procurado não só por necessidade, mas também por oportunidade de acompanhar o progresso.

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Isnard comenta, também, que trabalhos simples e repetitivos têm uma tendência a ir desaparecendo do mercado. Ele aponta como exemplos a ausência de frentistas e cobradores de ônibus em países do exterior, mas há alguns que não podem ser substituídos, como o trabalho de cabeleireiros e cabeleireiras. Ele completa dizendo que, embora a parte racional das atividades venha sendo transformada pela tecnologia da comunicação, é importante que não se esqueça que por trás do empreendedorismo há sempre a criatividade e a parte emotiva no processo, para que se tenha um diferencial na prestação de serviços já massificados. 

O doutor em administração diz ainda que, hoje, um mercado que ele enxerga como inovador é o de jogos eletrônicos. Para ele, a tendência para o futuro é que se volte à situação pré-revolução industrial, no sentido de que cada vez mais se abandona o modelo panóptico, em que as pessoas trabalham em fábricas sob a supervisão direta de um funcionário hierarquicamente superior, e passa-se a adotar o home office. Dessa forma, para ele, tende-se a privilegiar a produtividade e a criatividade.

Por fim, Isnard lembra que é importante pensar em pontos-chave para que se inicie um negócio que sobreviva no mercado e que tenha sucesso. Para lidar com a concorrência, o empreendedor precisa pensar em resolver problemas ainda não solucionados, assim lançando produtos inovadores no mercado, que não contaram com concorrência preestabelecida.

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